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A Tribuna (Santos, SP)

Pesquisas trazem esperança de vacina contra o HIV

Publicado em 15 maio 2010

Por Tatiana Lopes

Pesquisas realizadas nos Estados Unidos na área da Ciência da Computação representam os primeiros passos do que pode vir a ser uma vacina eficaz contra o vírus HIV.

O trabalho está sendo desenvolvido há pelo menos seis anos pela equipe do diretor Sênior de Ciências da Microsoft Resersch, David Heckerman, renomado cientista que apresentou as últimas descobertas mundiais na luta contra a aids durante a 6ª edição do Faculty Summit, realizada quarta-feira passada no Sofitel Jequitimar, em Guarujá.

Segundo Heckerman, a intenção é que essa vacina faça com que o sistema imunológico reconheça e mate o HIV antes que a pessoa seja infectada. "Dentro de seis meses devemos começar atestar uma vacina, provavelmente na China", explicou o cientista, também formado em Medicina.

"Adotamos a mesma estratégia de controle e filtro de spa-ms (aquelas mensagens indesejadas que chegam à sua caixa de e-mail)". Ou seja, os pesquisadores utilizam um programa de computador desenvolvido por eles, o PhyloD.net, para tentar reconhecer os pontos vulneráveis do vírus. "Estamos procurando o calcanhar de Aquiles, os epítopos (responsáveis por estimular a resposta imunológica) vulneráveis e os protetores", disse Heckerman.

No entanto, conforme o médico, os testes são lentos e bastante onerosos. "Os estudos, que serão feitos com cerca de 10 mil pessoas, custarão US$ 5 bilhões e devem demorar, no mínimo, dois anos para serem concluídos". Mesmo assim, ele alerta: "essa ainda não deve ser uma vacina perfeita, porque o vírus HIV tem uma mutação muito grande", reconhece o cientista, que não quer alimentar falsas esperanças na população.

O diretor da Microsoft Research lembra que na década de 80, quando o viras apareceu pela primeira vez, ser infectado era praticamente receber uma sentença de morte. "Hoje já existem drogas que permitem que as pessoas infectadas tenham uma vida mais longa e razoavelmente normal, mas os insumos são muito caros. Por isso acredita-se que uma vacina contra o vírus será a melhor solução.

"Porque detectar o spam é semelhante a detectar o vírus HIV. Usam técnicas semelhantes para identificar o vírus e para ter uma vacinapara a cura da aids com a ajuda da computação. Aísim como o spam, quer se passar por um e-mail genuíno, disse o vice-presidente corporativo da divisão Externai da Microsoft Research, TonyHey,

 

Investimento em pesquisas

Essa é a primeira vez que o evento, promovido pela Microsoft Research e pela Fundação

Especialistas detalharam os avanços na luta contra a aids a partir do uso da Ciência da Computação

Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é realizado no Brasil. Durante três dias, o encontro reuniu cerca de 200 líderes acadêmicos de diversos países, representantes do Governo e cientistas para discutir o tema a inovação por meio de pesquisas científicas.

Desde 2007, a Microsoft e a Fapesp investiram R$ 2,5 milhões em 11 projetos do Instituto Microsoft Research em TI. Em 2009, 4 novos estudos foram selecionados e receberão R$ 1 milhão. "O investimento em pesquisas é importante. E preciso colaborar com as universidades e com as comunidades científicas para o avanço das ideias na computação e para a solução dos problemas econômicos e sociais que afetam a região", disse o vice-presidente corporativo da divisão Externai da Microsoft Research,Tony Hey.

"A aids é uma doença terrível. Mata 5 mil pessoas por dia em todo o mundo e, se a computação pode ajudar a encontrar uma cura ou desenvolver a vacina, devemos usá-la" - David Heckerman, cientista e diretor Sênior de Ciências da Microsoft Research.

Segundo o diretor da Microsoft Research na América Latina, Jaime Puente, a empresa está capacitando comunidades acadêmicas e científicas no Brasil e na América Latina com as plataformas e ferramentas necessárias para apoiar a pesquisa de dados intensivos que eles estão comprometidos.

"Por meio dessa colaboração somos capazes de usar nossa experiência e tecnologia para fornecer sistemas robustos que ajudam os cientistas a recolher, organizar, visualizar e atualizar dados, os quais são componentes-chave no processo de descobertas da comunidade científica".

Segundo o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique Brito Cruz, São Paulo investe 1,5% do produto interno bruto (PIB) estadual em pesquisa etecnologiae ametaé ampliar para 2,8%, superior ao da Europa O do Brasil é de 1%.

"A parceria entre a Microsoft Research e a Fapesp contribui para enfrentar desafios sociais e econômicos por dá apoio à a rede de pesquisas para que estas gerem conhecimentos ainda mais avançados em relação á Ciência da Computação, e suas aplicações na saúde, na agricultura e no meio ambiente".