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Jornal GGN

Pesquisas traçam panorama da relação do brasileiro com a ciência

Publicado em 08 setembro 2015

Da Revista Pesquisa Fapesp

Familiaridade com a ciência

Duas pesquisas divulgadas durante a 67ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em julho no campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), trouxeram um panorama atualizado sobre a relação dos brasileiros com a ciência e a tecnologia.

Uma delas entrevistou 2.002 pessoas de 15 a 40 anos em nove regiões metropolitanas do país e mostrou que só 5% delas poderiam ser consideradas cientificamente letradas. Isso significa que apenas essa parcela foi capaz de compreender vocabulários e conceitos básicos da ciência, usados no cotidiano, como biodegradável ou megawatt, e refletir de maneira crítica sobre o impacto da ciência na sociedade.

Sessenta e quatro por cento dos entrevistados tiveram dificuldade de responder a questões básicas, como, por exemplo, se compreendiam os efeitos de medicamentos que costumam utilizar.

“Boa parte da população brasileira ainda não consegue fazer uso social da ciência, porque para isso é necessário saber ler e interpretar informações científicas”, explica Anderson Stevens Leonidas Gomes, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e consultor do Instituto Abramundo, entidade responsável pelo Indicador de Letramento Científico da população brasileira, uma iniciativa feita em parceria com a ONG Ação Educativa e o Instituto Paulo Montenegro, ligado ao Ibope.

Uma das recomendações do estudo para elevar o índice de proficiência científica no Brasil é considerar o ensino de ciências prioritário nas escolas desde o ensino fundamental.

A segunda pesquisa é a de Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil, divulgada na reunião da SBPC pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Foram ouvidas 1.962 essoas com mais de 16 anos de idade em todo o país.

O levantamento mostra que 61% dos brasileiros se declaram interessados ou muito interessados em ciência e tecnologia, percentual maior, por exemplo, que os 53% registrados na União Europeia em 2013. Dos entrevistados, 73% afirmaram que as atividades científicas e tecnológicas trazem mais benefícios do que malefícios para a população.

Comparado com os resultados de enquetes internacionais, o Brasil se destaca como um dos países mais otimistas quanto aos benefícios das atividades de pesquisa. A China apresenta índice idêntico ao brasileiro (73%), enquanto os Estados Unidos registram 67%, a Espanha, 64%, seguida de Itália (46%) e França (43%). Apesar disso, apenas 12% dos brasileiros visitaram museus ou centros de ciência e tecnologia nos 12 meses anteriores ao levantamento.