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Pesquisas sobre vacinas contra tuberculose buscam mais segurança e eficácia

Publicado em 04 dezembro 2006

A Fiocruz e a Fundação Ataulpho de Paiva (FAP) divulgaram, em coletiva de imprensa realizada no final do mês de novembro, o genoma completo da cepa BCG Moreau RDJ, utilizada no país na produção de vacinas de tuberculose. O estudo que foi coordenado por Leila Mendonça Lima, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e Luiz Roberto Castello Branco, diretor científico da FAP e pesquisador do Departamento de Imunologia do IOC/Fiocruz, foi desenvolvido durante dois anos. Segundo matéria da Agência Fiocruz de Notícias, a decodificação do DNA do BCG implicará no aumento da eficácia da vacina, na diminuição de efeitos colaterais e no aumento do controle de qualidade de produção.
Segundo Leila Mendonça em matéria da Agência Fapesp, as ferramentas moleculares desenvolvidas com os dados do sequenciamento tornarão a verificação genética das vacinas bem mais rápida e barata. E ainda, permitirá em longo prazo a possibilidade de elaboração do BCG recombinante como veículo vacinal. "A engenharia genética permite a inserção de novos genes que ainda não estão no BCG para a codificação de proteínas que protegem o organismo de outras doenças", explica a pesquisadora da Fiocruz.
Para a obtenção do genoma do BCG Moreau RDJ, os pesquisadores utilizaram a técnica shotgun randômico, que usa como base bibliotecas genômicas originadas da clonagem de fragmentos do DNA bacteriano, e ainda, técnicas de reação em cadeia da polimerase (PCR) para o complemento de trechos que o primeiro procedimento não conseguiu identificar, como informa Leila em matéria da Agência Fapesp. Ao final do estudo, foram identificados cerca de 4,3 milhões de pares de bases no genoma da bactéria.
Desta forma, os pesquisadores pretendem aumentar a potência e diminuir efeitos colaterais da vacina contra a tuberculose, doença que atinge cerca de 85 mil pessoas por ano no Brasil, e é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch). Eles também têm como meta "criar uma única solução que imunize contra duas ou mais doenças, o que só será possível após pelo menos dez anos de ensaios clínicos", revela Leila na matéria.