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UFPE

Pesquisas sobre câncer serão unificadas em rede nacional

Publicado em 25 março 2009

Com informações da Agência Fapesp e do CNPq

Foi lançada na primeira semana de março, no Instituto Butantan, a Rede Brasileira de Pesquisas sobre o Câncer, uma iniciativa conjunta do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Ministério da Saúde e do CNPq, articulada desde o fim de 2008 com vistas ao estímulo de ações coordenadas para o desenvolvimento e unificação da pesquisa sobre câncer no país.

“Além das atividades de pesquisa básica, de bancada e relacionadas, por exemplo, ao genoma e ao proteoma dos tumores, a idéia da rede é investir em ensaios clínicos e em pesquisa aplicada voltada diretamente aos pacientes”, afirma Marco Antonio Zago, presidente do CNPq e da comissão responsável por viabilizar a estrutura inicial da rede, coordenada pela pesquisadora Anamaria Camargo, do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer (LICR, na sigla em inglês).

Em um primeiro momento, as pesquisas estarão direcionadas para tumores prevalentes no Brasil, com ênfase para a biologia do câncer de mama. A previsão é que as informações geradas pelos pesquisadores permitam aumentar o leque de marcadores moleculares disponíveis para esse tipo de tumor, além de levar à identificação de novos alvos terapêuticos e à diminuição da mortalidade e morbidade associadas à doença.

Para isso, os cientistas trabalharão com base no sequenciamento do genoma de uma linhagem tumoral do câncer de mama, que ocorreu no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), no Rio de Janeiro. O material biológico utilizado nesse sequenciamento foi cedido pelo LICR de Nova York.

Abrangência

A rede atualmente envolve 19 grupos de pesquisa, provenientes de diferentes instituições de ensino e pesquisa, entre as quais a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a Fundação Oswaldo Cruz, o Instituto Butantan, o Instituto Nacional do Câncer, a Universidade de Brasília e as universidades federais do Mato Grosso, do Rio de Janeiro e de Uberlândia, além da empresa Recepta Biopharma.

A rede inclui ainda uma parceria entre os institutos Ludwig e Butantan que viabilizará a produção de material biológico para o início de testes visando à obtenção de uma vacina com potencial terapêutico para o câncer de ovário.

No fim do ano passado, para consolidar a sua formação, a Rede contou com recursos da ordem de R$ 5,38 milhões por meio de um edital conjunto do CNPq e do Ministério da Saúde, que contemplou três linhas de pesquisa: estudos de alterações moleculares do câncer de mama; testes preliminares de vacina terapêutica; e estudos de epidemiologia clínica do câncer de mama, estômago e próstata.

“Novos editais deverão ser lançados nos próximos anos porque entendemos que a rede terá fôlego longo, não tendo sido, portando, lançada para acabar em um ou dois anos”, disse Luiz Eugênio de Souza, diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde.

Segundo o diretor, além da pesquisa básica e clínica, a rede deverá integrar pesquisadores que atuam em abordagens epidemiológicas, considerando que a população brasileira tem características bem específicas comparado a outros países. “Com isso, será possível subsidiar implementação de novas políticas para o Sistema Único de Saúde, a partir de dados científicos que indiquem as características predominantes do câncer no país”, aponta Souza.