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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Pesquisas podem revolucionar cultura regional da batata-doce

Publicado em 22 julho 2020

A região do oeste paulista ocupa o primeiro lugar no ranking estadual da batata-doce, com produção média de 15,38 toneladas por hectare, o que é maior que a média nacional de 14,5. Porém é baixa, por causa do solo arenoso e dos períodos de estiagem; e diante da possibilidade de poder chegar ao nível entre 25 e 30.

Experimentos agronômicos estão em andamento na Uno este (Universidade do Oeste Paulista), na busca de produtividade superior a atual mediante o cultivo de genótipos mais adaptáveis ao solo e clima regional, tolerantes ao déficit hídrico durante períodos de veranicos e com melhor qualidade nutricional.

São seis pesquisas em andamento e mais outra com o projeto para ser colocado em prática, desenvolvidas no Ceo fop (Centro de Estudos em Olericultura e Fruticultura do Oeste Paulista) eno Laboratório de Tecidos Vegetais, instalados no campus 2 da universidade.

AMPLA RIQUEZA

O professor pesquisador André Ricardo Zeist comenta que há poucos estudos científicos no Brasil sobre a cultura da batata- doce, mesmo sendo um produto de consumo interno e de exportação, além de gerador de varios subprodutos, entre os quais doces, féculas, flocos e farinhas.

Esse tipo de batata é importante suprimento de vitaminas dos complexos A e Be de minerais. Produtores rurais da região de Prudente têm contribuído para atender o mercado nacional e internacional.

ASPECTOS SOCIAIS

Os experimentos em andamento estão comprometidos com a produção sustentável e competitiva, e com a relevância econômica e social da cultura, que pode ajudar a evitar o êxodo rural e fortalecer os sistemas de cultivo de base familiar. As pesquisas são conduzidas com apoio de equipe multidisciplinar.

Dos sete estudos, dois têm o aporte e outros dois estão em submissão na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo); um com bolsa do Peic-Unoeste (Programa Institucional de Iniciação Científica) e três vinculados ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Agronomia, que oferta mestrado e doutorado. As orientações dos trabalhos são de Zeist, com a colaboração do Dr. Andre Luiz Biscaia Ribeiro da Silva, vinculado à Uno este; e de Juliano Tadeu Vilela de Resende, da UEL (Universidade de Londrina); proporcionando aos estudos o caráter interinstitucional.

CONHEÇA OS ESTUDOS

Seleção in vitro de genótipos de batata-doce tolerantes do déficit hídrico, de autoria de Helder Sampaio Ferraz a. Desempenho agronômico de genótipos experimentais de batata-doce de polpa roxa na região do oeste pau ista, por Bruno da Rocha To roco. Adaptabilidade de genótipos experimentais de batata-doce na região do oeste paulista, por Jair Garcia Neto. Desenvolvimento e seleção de genótipos de batata-doce, por Murilo Henrique Souza Leal. Adaptabilidade e estabilidade de genótipos de batata-doce em Presidente Pudente, por Amanda Carvalho Perrud.

Aplicação de índices de seleção inicial e de genótipos meios-irmãos de batata-doce com polpa branca ou creme, por Rodrigo Dias Vergana. Aptidões e avanço na seleção e genótipos experimentais de batata-doce de polpa laranja, por Souza Leal e que dará continuidade ao estudo de Vergana.

Aptidões e avanço na seleção de genótipos experimentais com parão canadense, no qual estão trabalhando Jair Garcia Neto, no desenvolvimento de sua pesquisa de mestrado, junto com Alberto Junior Torres Biscola e Douglas da Silva Mafra, estudantes da graduação.

O produtor rural exportador de batata-doce, Nelson Monteiro, está há quase 40 anos atuando nesse segmento e conta que tem utilizado de sua própria vivência na busca de qualidade capaz de atender o exigente mercado internacional. Tem sido assim desde 1982, safra por safra. Sobre as pesquisas em andamento na Uno este (Universidade do Oeste Paulista), entende que os resultados poderão ser uma boa contribuição, especialmente se derem respaldo à sua condição de exportador que atualmente mantém negócios com a Holanda, mas já atendeu outros países, como a Itália e o Canadá. No momento, está empenhado em obter o selo europeu de qualidade.

O enorme potencial existente e a expectativa de crescimento da produção da batata-doce e toda sua cadeia produtiva motivaram a Prefeitura de Presidente Prudente a abraçar a ideia de realizar uma feira do setor, proposta por Monteiro e os produtores Mário Murakami, Ricardo Cremonesi, Luiz Rocha, Elio Portella e Renato Cremonesi.

BATATEC EM PRUDENTE

Os entendimentos tiveram início em 2017 com o prefeito Nelson Roberto Bugalho (PSDB) e a equipe da Se depp (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico), com a criação do Dia Municipal do Cultivo da Batata-doce, em 15 de junho, e realização em 2018 da 1 Bata tec (Feira Tecnológica da Batata-doce).

No ano passado participaram produtores de oito países da América Latina e de 12 Estados brasileiros. O maior produtor nacional é o Rio Grande do Sul, seguido por São Paulo, que em área de cultivo de batata-doce tem 9,8 mil hectares (ha), dos quais 3,6 milha em Prudente e região.

O coordenador da Batatec, Marcelo Costilho Jorge, conta que a pesquisadora disse ter visto em Prudente o que não viu em nenhuma outra parte do mundo: a união de agricultores, poder público e de instituições de ensino superior trabalhando na melhoria da batata-doce, cultura estratégica para a alimentação mundial.

Costilho é diretor do Departamento de Fomento Industrial da Se depp e comenta que estão empenhados na vinda de indústrias que utilizam a batata-doce como matéria prima, para proporcionar regularidade de preços ao produtor rural, além de gerar emprego e renda.

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