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Pesquisas podem revolucionar cultura regional da batata-doce

Publicado em 02 julho 2020

São produzidos genótipos apropriados às características de solo e clima, para maior qualidade e produtividade

A região do oeste paulista ocupa o primeiro lugar no ranking estadual da batata-doce, com produção média de 15,38 toneladas por hectare, o que é maior que a média nacional de 14,5. Porém é baixa, por causa do solo arenoso e dos períodos de estiagem; e diante da possibilidade de poder chegar ao nível entre 25 e 30.

Experimentos agronômicos estão em andamento na Unoeste, na busca de produtividade superior a atual mediante o cultivo de genótipos mais adaptáveis ao solo e clima regional, tolerantes ao déficit hídrico durante períodos de veranicos e com melhor qualidade nutricional.

São seis pesquisas em andamento e mais outra com o projeto para ser colocado em prática, desenvolvidas no Centro de Estudos em Olericultura e Fruticultura do Oeste Paulista (Ceofop) e no Laboratório de Tecidos Vegetais, instalados no campus II da universidade.

Ampla riqueza

O professor pesquisador Dr. André Ricardo Zeist comenta que existem poucos estudos científicos no Brasil sobre a cultura da batata-doce, mesmo sendo um produto de consumo interno e de exportação, além de gerador de vários subprodutos, entre os quais doces, féculas, flocos e farinhas.

Esse tipo de batata é importante suprimento de vitaminas dos complexos A e B e de minerais, tais como ferro, cálcio, potássio, enxofre e magnésio. É um produto cujo consumo tem aumentado, especialmente por desportistas, devido à sua composição nutricional.

Produtores rurais da região de Prudente têm contribuído para atender o mercado nacional e internacional, trabalhando com determinação para superar as dificuldades dos solos arenosos e dos déficits hídricos que resultam em produções que poderiam ser mais altas e com menos anomalias fisiológicas nas raízes.

Aspectos sociais

Os experimentos em andamento estão comprometidos com a produção sustentável e competitiva, e com a relevância econômica e social da cultura que pode ajudar a evitar o êxodo rural e fortalecer os sistemas de cultivo de base familiar. As pesquisas são conduzidas com apoio de equipe multidisciplinar.

Melhoristas, biotecnologistas e fisiologistas estão envolvidos no trabalho com estudantes de graduação e mestrado em agronomia, de tal maneira contribuindo também para a formação de recursos humanos e para a multiplicação de conhecimento através de artigos científicos.

Dos sete estudos, dois têm o aporte e outros dois estão em submissão na Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp); um com bolsa do Programa Institucional de Iniciação Científica (Peic-Unoeste) e três vinculados ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Agronomia, que oferta mestrado e doutorado.

As orientações dos trabalhos são de Zeist, com a colaboração do Dr. Andre Luiz Biscaia Ribeiro da Silva, vinculado à Unoeste; e do Dr. Juliano Tadeu Vilela de Resende, da Universidade de Londrina (UEL); proporcionando aos estudos o caráter interinstitucional.

Os estudos

Seleção in vitro de genótipos de batata-doce tolerantes do déficit hídrico, de autoria de Helder Sampaio Ferraza. Desempenho agronômico de genótipos experimentais de batata-doce de polpa roxa na região do oeste paulista, por Bruno da Rocha Toroco.

Adaptabilidade de genótipos experimentais de batata-doce na região do oeste paulista, por Jair Garcia Neto. Desenvolvimento e seleção de genótipos de batata-doce, por Murilo Henrique Souza Leal. Adaptabilidade e estabilidade de genótipos de batata-doce em Presidente Pudente (SP), por Amanda Carvalho Perrud.

Aplicação de índices de seleção inicial e de genótipos meios-irmãos de batata-doce com polpa branca ou creme, por Rodrigo Dias Vergana. Aptidões e avanço na seleção e genótipos experimentais de batsata-doce de polpa laranja, por Souza Leal e que dará continuidade ao estudo de Vergana.

Aptidões e avanço na seleção de genótipos experimentais com padrão canadense, no qual estão trabalhando Jair Garcia Neto, no desenvolvimento de sua pesquisa de mestrado, junto com Alberto Junior Torres Biscola e Douglas da Silva Mafra, estudantes da graduação.

Boa contribuição

O produtor rural exportador de batata-doce Nelson Monteiro está há quase 40 anos atuando nesse segmento e conta que tem utilizado de sua própria vivência na busca de qualidade capaz de atender o exigente mercado internacional. Tem sido assim desde 1982, safra por safra.

Sobre as pesquisas, entende que os resultados poderão ser uma boa contribuição, especialmente se derem respaldo à sua condição de exportador que atualmente mantém negócios com a Holanda, mas já atendeu outros países, como a Itália e o Canadá. No momento está empenhado em obter o selo europeu de qualidade.

Monteiro está entre os mais antigos produtores dentre os mais de 300 de Presidente Prudente e região, que juntos movimentam cerca de R$ 110 milhões por ano, gerando emprego e renda. São mais de 3 mil trabalhadores, da preparação do solo à colocação no mercado, com renda média mensal de R$ 2 mil.

Feira tecnológica

O enorme potencial existente e a expectativa de crescimento da produção da batata-doce e toda sua cadeia produtiva motivou o poder público municipal a abraçar a idéia de realizar uma feira do setor, proposta por Monteiro e os produtores Mário Murakami, Ricardo Cremonesi, Luiz Rocha, Elio Portella e Renato Cremonesi.

Os entendimentos tiveram início em 2017 com o prefeito Nelson Roberto Bugalho e a equipe da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedepp), com a criação do Dia Municipal do Cultivo da Batata-doce, em 15 de junho, e realização em 2018 da 1ª Batatec – Feira Tecnológica da Batata-doce.

Realizada no Centro de Eventos IBC, em 2019 a feira recebeu mais de 14 mil visitantes e motivou R$ 4,5 milhões em negócios: tratores, implementos, ferramentas e insumos, dentre outros; e também a gastronomia a base de batata-doce. O evento ofereceu exposição de produtos e palestras técnicas.

América Latina

No ano passado participaram produtores de oito países da América Latina e de 12 estados brasileiros. O maior produtor nacional é o Rio Grande do Sul, seguido por São Paulo que em área de cultivo de batata-doce tem 9,8 mil hectares, dos quais 3,6 mil em Prudente e região.

No ano passado, a conferência de abertura ocorreu na Unoeste e foi com a pesquisadora Genoveva Russel, do International Potato Center, com sede em Lima, no Peru. Centro de pesquisa comprometido com a erradicação da fome no mundo e com a segurança alimentar de países em desenvolvimento.

O coordenador da Batatec, Marcelo Costilho Jorge, conta que a pesquisadora disse ter visto em Prudente o que não viu em nenhuma outra parte do mundo: a união de agricultores, poder público e de instituições de ensino superior trabalhando na melhoria da batata-doce, cultura estratégica para a alimentação mundial.

Setor industrial

Costilho é diretor do Departamento de Fomento Industrial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedepp) e comenta que estão empenhados na vinda de indústrias que utilizam a batata-doce como matéria-prima, para proporcionar regularidade de preços ao produtor rural, além de gerar emprego e renda.

Outra preocupação é com benfeitorias nas estradas e pontes para melhorar o escoamento da produção. Conforme Costilho, em todas as ações há o envolvimento da Associação dos Produtores de Batata-doce de Presidente Prudente e Região (Aprobarpp), presidida por Luiz Rocha.

As exportações do produto regional são para a Europa e Mercosul. A cadeia produtiva da batata-doce está inserida nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU), voltados para a fome zero e agricultura sustentável, dentre outros compromissos.

Cursos de excelência

A Unoeste oferta cursos de excelência na área de agronomia. Na graduação tem o conceito 4 do Ministério da Educação (MEC), é o melhor da região pelo Ranking Universitário Folha (RUF 2018) e detém o Prêmio Melhores Universidades, do Guia do Estudante 2018, na área de ciências biológicas e da terra.

O curso de Agronegócio é conceito 4. Dentre as especializações oferece o curso de Manejo e Fertilidade do Solo e do Estado Nutricional das Culturas. Na pós-graduação stricto sensu tem mestrado e doutorado, ambos com conceito 4 na avaliação do MEC, através da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superar (Capes).

Fonte: Assessoria de Imprensa Unoeste