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O Povo

Pesquisas pelo Ceará e pelo Brasil buscam encontrar equipamentos viáveis contra a Covid-19

Publicado em 10 maio 2020

Por Fontes: Universidade Federal do Ceará (UFC) / Governo do Estado do Ceará / Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) / Universidade de São Paulo (USP) / Petrobras

Enquanto você lê esta reportagem no isolamento da sua casa, em um provável momento de descanso, um grande número de pessoas segue trabalhando. Elas não estão, necessariamente, na linha de frente para manter os serviços essenciais funcionando, mas se dedicam a buscar alternativas para conter a letalidade da Covid-19 diante da escassez de recursos nos hospitais, principalmente a de máquinas como respiradores e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Essas pessoas têm as mais diversas formações e ramos de atuação: são pesquisadores, professores, estudantes, técnicos, gestores, empresários, autônomos e outros profissionais que juntos desenvolvem métodos, modelos e outros conhecimentos que podem servir para auxiliar no tratamento de pacientes graves.

"Diante de tanta notícia ruim, nos enche de esperança ver a colaboração de várias instituições e pessoas em um momento tão delicado quanto o que estamos vivendo. É bonito ver que essa união vai deixar um legado - não só para o cearense - mas para todo mundo que precisar", destaca Marcelo Alcantara, superintendente da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE).

O médico pneumologista e intensivista apresentou a várias instituições uma ideia de helmet, uma espécie de capacete tipo escafandro que ocupa toda região da cabeça e é um sistema não-invasivo de ventilação mecânica já adotado na Europa. Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade de Fortaleza (Unifor), Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), através do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Ceará), decidiram então unir forças para desenvolver um protótipo batizado de Elmo, um capacete com base em polipropileno (um tipo de plástico), abóbada em PVC transparente e lapela de pescoço (colar) em látex. O Elmo foi desenvolvido em três semanas e tem a previsão de ser utilizado até o final do mês no hospital Leonardo da Vinci, exclusivo para pacientes com Covid-19. As etapas seguintes incluem a fabricação em escala industrial para distribuição a unidades de saúde na Capital e Interior.

"O Elmo é uma solução diferente para prevenir o uso do ventilador, não é uma substituição a ele. É uma medida para prevenir que o paciente que não esteja em estado grave piore e necessite de UTI. A data certa para aplicação em todos os hospitais vai depender dos primeiros testes com pacientes, que vão acontecer ainda neste mês. A fabricação das unidades para os demais pacientes pode ocorrer em junho", prevê Alcantara.

Os testes no ambiente de hospital são essenciais para avaliar qual o melhor momento para aplicação do equipamento no doente. O que a equipe avaliou é que o paciente precisa estar alerta, cooperativo e não estar em estado grave a ponto de necessitar ser entubado.

Para Paulo André Holanda, diretor regional do Senai Ceará, o modelo cearense é inovador em vários quesitos. "Ele é diferente dos demais helmut porque dá mais segurança ao paciente e profissionais. Ele possui maior conforto, comodidade e eficácia, pois consegue zerar os índices de gás carbônico dentro do capacete e devolver o ar desinfectado ao ambiente. Além disso, os helmut tradicionais não têm acesso para medir temperatura e pressão dentro do elmo, nem aparelho para medir o nível de ruído, facilidades que acrescentamos ao projeto. Com o uso do equipamento, esperamos reduzir de 50 a 60% a probabilidade do paciente ser entubado", afirma.

O protótipo do Elmo foi desenvolvido no Instituto Senai de Tecnologia em Eletrometalmecânica, e testado no laboratório da instituição no bairro da Jacarecanga. "Ainda não falamos sobre quem vai financiar a quantidade suficiente para atender a todos os hospitais, mas já foi feito o cálculo de produção. Por exemplo, para produzir 5 mil unidades, cada uma sairá a R$ 300. Não é um valor alto, ainda mais que o equipamento é reutilizável e é uma alternativa aos respiradores, que têm custo alto", aponta (O preço unitário dos respiradores adquiridos neste mês pelo Ministério da Saúde foi de US$ 13 mil ou, aproximadamente, R$ 76 mil).

Segundo o gestor, algumas empresas locais já se mostraram interessadas em financiar a fabricação. "Essa intermediação está sendo feita pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), a qual também teve um papel essencial na união desse grupo, na figura de seu presidente, Ricardo Cavalcante", indica. "Mas o que podemos ver é que estão todos envolvidos e empenhados para mudar o cenário na pandemia no Ceará", finaliza.

Veja algumas iniciativas no Ceará e no Brasil para suprir a necessidade de respiradores e outros equipamentos

USP

Uma equipe multidisciplinar da Escola Politécnica, da Universidade de São Paulo (Poli-USP), projetou um ventilador pulmonar emergencial de baixo custo, que poderá servir para o atendimento de pacientes de Covid-19. Batizado de Inspire, o protótipo tem mais duas vantagens: pode ficar pronto em menos de duas horas e é feito de peças que podem ser encontradas no País, ou seja, não necessita de componentes importados. Os respiradores disponíveis no mercado custam, em média, R$ 15 mil, enquanto o valor do Inspire é de R$ 1 mil, aproximadamente. O modelo desenvolvido pelos pesquisadores da Poli-USP foi registrado com uma licença open source, o que significa que qualquer pessoa interessada pode acessar o passo a passo de manufatura e fabricá-lo (informações no site https://github.com/Inspire-Poli-USP/Inspire-OpenLung). O financiamento para o projeto foi obtido por meio de arrecadação pela internet (cerca de R$ 161 mil).

PETROBRAS

A Petrobras está apoiando o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe UFRJ) na produção de protótipos de ventiladores pulmonares mecânicos. A companhia mobilizou sua impressora 3D, instalada em seu centro de pesquisas (Cenpes), para produzir componentes dos protótipos, e cedeu um sensor de oxigênio, que estava localizado em Caraguatatuba (SP) e será usado nos testes para garantir o nível correto de oxigenação dos aparelhos. A intenção é desenvolver um modelo que seja mais barato e simples de montar, utilizando peças disponíveis no mercado. O novo modelo de ventilador pulmonar será 90% mais barato que o equipamento convencional. Por serem menos complexos, os novos modelos podem ser produzidos mais rapidamente e em larga escala. Cada nova unidade custará R$ 5 mil.

UFC VIRTUAL

O professor Clemilson Santos, do Laboratório de Computação Física do Curso de Sistemas e Mídias Digitais (SMD do Instituto UFC Virtual), desenvolveu uma técnica de produção de protetores faciais a partir de canos de PVC. Os protetores são compostos por três peças - a viseira de acetato, o elástico e o suporte, este último geralmente produzido por meio de impressoras 3D. Na técnica de fabricação elaborada por Clemilson, as impressoras podem ser dispensadas pela montagem manual a partir de canos de PVC. Um dos benefícios seria o custo reduzido. "Uma bobina de 1 kg de filamento utilizado na impressão 3D custa na faixa de R$ 130 a R$ 1.500 e dá para imprimir 25 unidades, sem contar com as perdas. Com um cano de PVC de 6 m por 100 mm de diâmetro, que comprei atualmente por R$ 54, dá para fazer, aproximadamente, 120 unidades de máscaras", calcula.

STARTUP PAULISTA TIMPEL E FAPESP

Um tomógrafo por impedância elétrica desenvolvido pela startup paulista Timpel para monitorar pacientes que necessitam de ventilação artificial pode ajudar a aumentar a disponibilidade de ventiladores pulmonares e, consequentemente, de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para pacientes com Covid-19 em estado grave. Desenvolvido por meio de um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o equipamento já está sendo utilizado em hospitais no Brasil, Europa, Estados Unidos, Japão e Oriente Médio. Em São Paulo, os equipamentos da Timpel já estão em operação no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Hospital Emílio Ribas, Instituto do Coração (Incor) e em diversos hospitais privados. (Com agências)

Fontes: Universidade Federal do Ceará (UFC) / Governo do Estado do Ceará / Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) / Universidade de São Paulo (USP) / Petrobras

Pesquisas contra coronavírus unem universidades

Mesmo que ao telefone, sem poder ver a expressão do rosto e demais emoções envolvidas, a voz do professor Rodrigo Porto, pró-reitor-adjunto de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Ceará (UFC), é suficiente para transparecer a emoção sobre a energia que "tirou todo mundo da zona de conforto" dentro e fora da universidade.

Foi uma energia tão forte que ultrapassou os muros dos campi e foi encontrar pesquisadores de outras universidades e instituições. Por causa dela, a UFC pôde conversar com a Universidade de Fortaleza (Unifor), que cedeu especialistas em produção industrial; com a Fundação Cearense de Amparo à Pesquisa (Funcap), que financiou bolsistas que trabalharam nos projetos; e com secretarias dos órgãos públicos, dentre outros atores, que forneceram dados sobre o alcance da pandemia no Ceará.

"A rede de pesquisa sempre existiu, mas quando ela é multidisciplinar, é sempre mais difícil o esforço, porque é mais complicado entender perspectivas e jargões de áreas diferentes. De tantas mazelas que essa pandemia trouxe, vai ficar pelo menos uma coisa boa, que é essa rede de contatos e esforços. É um aprendizado que quero crer que ficará para o futuro e servirá de modelo para outras iniciativas daqui por diante", afirma.

Outra iniciativa que a universidade precisou fazer em virtude do cenário atual foi agilizar processos internos. "Diante da emergência, a reitoria conseguiu pensar maneiras diversas de tornar os resultados mais rápidos, visto que não dava para esperar pelos processos tradicionais que envolvem solicitação de recursos e agências de fomento. Era preciso ser mais pró-ativo e foi o que a reitoria fez", destaca.

Assim, diversos departamentos se voluntariaram e outros tantos foram chamados a tornarem públicas suas pesquisas que tangenciam o combate ao novo coronavírus, o que resultou na criação de uma plataforma online acessível a qualquer pessoa ou governo. "São pesquisas nas mais diversas áreas, que vão desde a construção de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) a mapeamentos socioeconômicos de comunidades mais vulneráveis à doença, feitas em áreas de humanidades, como Ciências Sociais e Geografia. A universidade fazia muita pesquisa mas simplesmente não tinha um autoconhecimento profundo sobre todas elas", avalia.

Rodrigo Porto enfatiza que a reação rápida da academia não teria sido possível se não houvesse investimento acumulado ao longo dos anos e gestões. "Somos a maior instituição de pesquisa do Estado e esse posto só foi possível de ser alcançado porque houve investimento na formação de professores e na pesquisa", diz.

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