Notícia

A Gazeta (Cuiabá, MT) online

Pesquisas para quê?

Publicado em 30 novembro 2006

Correm boatos sobre a extinção da Fapemat pelo governador do Estado, Blairo Maggi. A Fapemat é o principal órgão que financia pesquisas científicas no Estado de Mato Grosso. Muitos projetos têm sido empreendidos e muitos trabalhos de pesquisas desenvolvidos por bolsistas da Fapemat que a cada ano contribuem para alavancar os indicadores científicos, econômicos e, conseqüentemente, sociais do nosso país.
A história dos países que avançaram mostra que o avanço econômico e social de qualquer país somente será possível com sérios investimentos em educação, ciência e tecnologia. A educação melhora a qualidade de vida de um povo. A ciência e a tecnologia dão visibilidade a um país.
Temos vários exemplos de pesquisas bem-sucedidas no Brasil. Para citar apenas um exemplo - e de um órgão estadual de apoio à pesquisa - lembremos o caso do seqüenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa no ano 2000 pela equipe de pesquisadores coordenada pelo geneticista brasileiro Fernando Reinach com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Fomos capa da Revista Nature, edição número 6.792, volume 406, uma das mais prestigiosas e respeitadas publicações científicas do mundo. O Brasil ganhou em muitos setores.
Talvez falte ao nosso governador a visão que todo "gestor da coisa pública" deveria ter: o entendimento de que o crescimento de um país, a diminuição das desigualdades sociais e melhorias da qualidade de vida das pessoas é proporcional aos investimentos em educação e pesquisas científicas.
Talvez o Sr. Blairo Maggi pretende pautar o seu governo por uma espécie de pragmatismo da iniciativa privada, não arriscar dispender dinheiro para resultados de longo prazo. Isso é o que geralmente acontece com a educação. Educar uma criança, colocar numa universidade, fazê-la um cidadão crítico, criativo e inventivo, em nada contribuirá para a manutenção do atual estado de analfabetismo, desigualdade social e status quo de grande parte dos políticos brasileiros.

Lionês Araújo dos Santos é acadêmico do Curso de Filosofia da UFMT e bolsista do CNPq