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Pesquisas na UFSCar apresentam melhorias no quadro de diabetes em camundongos após terapia celular

Publicado em 23 maio 2015

Pesquisas realizadas na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) demonstram melhorias no metabolismo de camundongos, induzidos a desenvolverem diabetes mellitus do tipo 2 apenas com uso de dieta, a partir do tratamento com células tronco mesenquimais. Os estudos são conduzidos pela docente Angela Merice de Oliveria Leal do Departamento de Medicina (DMed) e coordenadora do Laboratório de Investigação Endócrino-Metabólica (LIEM) da Universidade.

O diabetes tipo 2 é uma doença crônica que afeta o metabolismo da glicose, lipídios e proteínas, principal fonte de energia do corpo. A pessoa com diabetes tipo 2, embora produza a insulina, pode ter uma resistência aos efeitos do hormônio ou não produz em quantidade suficiente para manter o nível normal de açúcar no sangue. "A resistência à insulina é a barreira que ocorre à ação da insulina nos diversos tecidos. A obesidade é o principal fator que leva à resistência à insulina. O tecido adiposo libera vários agentes hormonais e inflamatórios que agem nas vias de sinalização intracelular da insulina bloqueando a sua ação", salienta Leal.

Para a elaboração dos estudos, camundongos foram submetidos a uma dieta hiperlipídica. Este é o modelo que mais se aproxima da doença humana pois não utiliza drogas tóxicas ou animais transgênicos. A injeção de células tronco mesenquimais contribuiu para a proliferação de células do pâncreas, glândula responsável pela produção de insulina, e diminuição da apoptose celular, que é um mecanismo biológico de morte celular programada. "No nosso estudo, houve diminuição da hiperglicemia e da resistência insulínica nos animais tratados. As células tronco mesenquimais têm um importante papel imunomodulador e anti-apoptótico. Acredita-se que estas células promovam os seus efeitos diminuindo a ação de células e mediadores inflamatórios nos diversos tecidos através de ação parácrina", explica a docente. Além disso, terapia celular com essas células não provoca resposta rejeição imunológica, pois o organismo não reage contra a presença das células tronco mesenquimais.

Os resultados dos estudos foram publicados no artigo "Metabolic and Pancreatic Effects of Bone Marrow Mesenchymal Stem Cells Transplantation in Mice Fed High-Fat Diet", publicado no final de abril na revista Public Library of Science (PlosOne), e na tese "Efeitos da infusão das células-tronco mesenquimais em modelo animal de resistência insulínica e diabetes tipo 2", desenvolvida por Patricia de Godoy Bueno no Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas da UFSCar e Unesp-Araraquara, sob orientação da professora Leal. As pesquisas coordenadas por Leal apresentaram resultados muito positivos, pois demonstraram que a injeção de células tronco mesenquimais contribuem para menor resistência dos tecidos à insulina, diminuição da apoptose nas células pancreáticas e regulação de processos imunológicos, como mecanismos anti-inflamatórios, imunomuduladores e antiapoptóticos, além de contribuir para a proliferação celular das células beta-⁠pancreáticas e de produtores de insulina. Atualmente os estudos analisam os mecanismos moleculares que ocorreram nos tecidos e levaram à diminuição da resistência insulínica. Em outro projeto também apoiado pela FAPESP, a pesquisadora avalia a avaliação do o uso das células tronco no tratamento da neuropatia diabética, que provoca dor, sensações de formigamento e perda da sensibilidade nas mãos e nos pés e é a complicação crônica do diabetes mais frequente.