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Agência USP de Notícias

Pesquisas mostram como se movimentam os continentes

Publicado em 20 julho 2000

Pesquisadores do Instituto Astronômico e Geofísico (IAG) da USP vem realizando estudos na tentativa de entender melhor as causas da movimentação da placa tectônica do continente sul-americano, que tem se afastado cerca de três centímetros da África a cada ano. Segundo o professor Marcelo Assumpção, do Departamento de Geofísica do Instituto, a movimentação esta relacionada ás correntes de convecção. "O objetivo da nossa pesquisa e descobrir onde estão localizadas estas correntes e a que profundidade", explica. Os estudos vem sendo realizados na região sudeste do Brasil, entre os Estados de São Paulo. Rio de Janeiro. Minas Gerais e sul de Goiás, onde estão sendo analisadas estruturas de até 1400 quilômetros de profundidade. Até meados de 1995, por exemplo, os cientistas sabiam da existência de um pedaço fóssil da Pluma (coluna de rochas quentes) que poderia ter se originado a cerca de 2900 quilômetros de profundidade, próximo do núcleo da Terra. "Em estudos recentes conseguimos determinar a localização desse pedaço e sua profundidade, a qual se situa entre 700 e 800 quilômetros", afirma Assumpção. "A partir desses dados, concluímos que o deslocamento do continente sul-americano é acompanhado de toda a camada do manto superior terrestre e não apenas pelos primeiros 100 ou 200 quilômetros dessa estrutura, como se pensava anteriormente". As constatações foram possíveis graças a um novo sistema de tomografia sísmica, viabilizado pela instalação de 38 estações sismográficas por toda a região. Outra constatação dos pesquisadores é que a Placa de Nazca - estrutura tectônica proveniente do fundo do Oceano Pacifico - avança por debaixo do continente sul-americano até o sudeste do Brasil, onde chega a atingir profundidades de até 1400 quilômetros. "A Placa de Nazca, ao chocar-se com a Placa Sul-Americana, formou a Cordilheira dos Andes, cadeia montanhosa que se estende do Chile á Colômbia e ainda está em processo de formação, causando constantes terremotos na região de até 650 quilômetros de profundidade, o que permite seu fácil mapeamento", descreve Assumpção. "Entretanto, ao continuar seu avanço sob o continente, a placa vai se aprofundando silenciosamente" e não provoca mais sismos profundos, sendo detectada, a partir daí, através de tomografias sísmicas", afirma pesquisador. As pesquisas da equipe Assumpção começaram no inicio década de 90 e contam, atualmente, com a colaboração de especialistas do norte-americano Camegie Institution of Washington e da Universidade de Montpellier, França. Mais informações: (011) 3818-4783 ou 3818-4755; E-mail: Marcelo@iag.usp.br