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Pesquisas inovadoras oferecem soluções para a saúde e o bem-estar da população

Publicado em 05 outubro 2020

Por André Julião | Agência FAPESP

A pesquisa voltada para a inovação, além de resultar na criação de novas empresas que geram empregos e arrecadação para o Estado, podem trazer também benefícios sociais diretos e melhorar a qualidade de vida da população. Alguns desses exemplos foram apresentados durante o Ciclo ILP-FAPESP de Ciência e Inovação, realizado on-line no dia 28 de setembro. As empresas foram ou são financiadas pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação. O evento on-line é organizado pela FAPESP e pelo Instituto do Legislativo Paulista.

Criada há 16 anos com apoio do PIPE, a Tece desenvolveu uma nova versão de um instrumento de escrita manual para deficientes visuais. A reglete positiva, como é chamada, diminui em 60% o tempo de aprendizagem do sistema de escrita e leitura braille.

“Enquanto na reglete tradicional escreve-se ao contrário, para que a leitura seja no sentido correto, na reglete positiva escreve-se da mesma forma que se lê. Isso diminuiu inclusive o tempo de aprendizagem dos professores que têm de alfabetizar alunos com deficiência visual”, disse Aline Piccoli Otalara , fundadora da empresa, criada enquanto ela realizava doutorado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro (leia mais em: agencia.fapesp.br/17250/ ).

No caso da Phelcom Tecnologies, a tecnologia desenvolvida com o apoio da Fundação democratiza o acesso a exames oftalmológicos. Fundada em São Carlos, a empresa criou o Eyer, aparelho portátil ligado a um smartphone que faz imagens precisas da retina e da frente do olho, permitindo detectar doenças a um custo bem mais baixo do que os métodos convencionais. O Eyer tem ainda a vantagem de possibilitar o diagnóstico por telemedicina, a quilômetros de um médico oftalmologista. Atualmente, existem 250 milhões de pessoas no mundo com deficiência visual grave ou cegueira, sendo que 75% dos casos poderiam ser evitados, muitas vezes com exames simples.

“Em 2015 vimos que as câmeras de smartphones iam substituir as câmeras tradicionais. A ideia era que usando um smartphone pudessem ser realizados exames simples, em qualquer lugar e com qualidade que habilitasse diagnóstico remoto via telemedicina. Agora, estamos trazendo ainda inteligência artificial para fazer uma triagem automática”, disse José Augusto Stuchi , CEO da empresa (leia mais em: agencia.fapesp.br/30646/ ).

A Hoobox, que já tinha desenvolvido a primeira cadeira de rodas guiada por movimentos faciais com o apoio da FAPESP , viu que a pandemia de COVID-19, o dólar alto e a pouca precisão dos equipamentos de detecção de temperatura eram uma nova oportunidade de uso da tecnologia.

Junto com a Radsquare, startup especializada em termografia, a Hoobox desenvolveu um sistema composto por uma câmera termográfica e algoritmos de reconhecimento facial que escaneiam o rosto e medem a temperatura de forma automatizada, evitando a possibilidade de contágio do vírus SARS-CoV-2. O totem está distribuído por vários prédios da capital paulista, além de locais em Belém e no Rio de Janeiro. Com a vantagem de ter apenas um componente importado, compete em pé de igualdade com grandes indústrias internacionais que produzem sistemas parecidos.

A empresa agora tem o apoio da FAPESP para desenvolver um sistema que será útil no período pós-pandemia. “Ao chegar a um prédio comercial para uma reunião, a pessoa faz um check-in pelo celular e quem o convidou autoriza a entrada, sem que seja preciso passar pela recepção. Com isso, as chances de contágio diminuem”, disse Paulo Gurgel Pinheiro , CEO da Hoobox.

Roberto Speicys , cofundador e sócio da Scipopulis, apresentou o software criado pela empresa que permite melhorar o planejamento das rotas de ônibus, além da fiscalização pelo poder público das empresas concessionárias. O projeto apoiado pela FAPESP permite, por exemplo, desviar de alagamentos e evitar prejuízos (leia mais em: agencia.fapesp.br/32627/ )

Maure Pessanha, da Artemísia Negócios Sociais, ressaltou a importância desse tipo de iniciativa e apresentou negócios apoiados pela organização, voltados para as populações mais pobres. Além disso, destacou o programa de incentivo a negócios sociais originados nas periferias.

“A parceria com o ILP permite mostrar à sociedade o que a FAPESP faz e como a pesquisa e a inovação do Estado de São Paulo estão se desenvolvendo de maneira a auxiliar a qualidade de vida e a economia paulista”, disse Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo (CTA) da FAPESP, no evento que foi aberto por Stanley Plácido da Rosa Silva, coordenador acadêmico do ILP.