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Gazeta Mercantil

Pesquisas do grupo Genoa atraem investidores externos

Publicado em 19 dezembro 2005

Governo da Coréia do Sul convidou a empresa nacional para fazer parte de pólo biotecnológico. As pesquisas brasileiras na área de biotecnologia estão atraindo a atenção do capital estrangeiro. A Genoa Biotecnologia - que lançou neste ano uma vacina para o tratamento de câncer renal e melanoma -, avalia pelo menos quatro propostas externas de parcerias. Fabio Diogo, vice-presidente da empresa, disse que o grupo foi procurado para acordos, todos ainda em estudo, por três governos de estados norte-americanos e pelo da Coréia do Sul. Este último quer criar um pólo de biotecnologia em seu território e convidou a companhia brasileira, e outras sete, para participar do projeto.
A mais avançada das propostas, a do governo sul-coreano, segundo Diogo, inclui o financiamento de metade dos custos de pesquisas, desde que o grupo instale uma base de cientistas no País e os processos sejam compartilhados com as universidades. "A patente será nossa, bem como o direto de exploração. A Coréia exige em contrapartida o compartilhamento do conhecimento e da nossa capacidade de gerir inteligência", ele disse.
No entanto, a idéia de transferir linhas de pesquisas para lugares tão distantes como a Coréia causa um pouco de estranheza à direção da Genoa, fundada por médicos e cientistas brasileiros, que acredita que este mercado tem grande potencial de crescimento no Brasil mesmo e que há espaço no País para grandes empresas de biotecnologia. "O setor cresce muito e daqui a 5 ou 10 anos teremos uma indústria de biotecnologia bem estabelecida no Brasil."
Diogo disse que a empresa também tem recebido propostas de farmacêuticas que desejam ser parceiras em determinadas pesquisas, isoladamente. Negócios que o grupo tem descartado até agora, apesar de ter adiantado para este ano a sua estratégia de buscar capital no mercado. "Tínhamos planejado para meados de 2006 a entrada de investidores na companhia, mas há um cenário de oportunidades." Além disso, segundo Diogo, o portfólio de pesquisas do grupo atualmente está mais atraente, já que elas estão em fase avançada de desenvolvimento, o que representa menos risco para o investidor.
A Genoa busca parcerias preferencialmente com fundos de investimento e estuda alguns acordos no momento. "Não estamos à venda nem venderemos o controle do grupo", ressaltou. Nesse sentido, o grupo faz parte de um programa da Finep - Financiadora de Estudos e Projetos que seleciona empresas para apresentar seus projetos aos investidores interessados nessa área, afirmou Diogo. O executivo explicou que a estratégia de buscar investidor é para acelerar e "fazer crescer" a linha de desenvolvimento do grupo. "Temos um fluxo de caixa saudável (não revelado) e as principais pesquisas já estão dentro do orçamento, mas temos um cronograma agressivo de projetos."
Uma das principais do setor no País, a Genoa tem em sua carteira hoje 12 protocolos simultâneos de pesquisas das quatro empresas que formam o grupo: a OncoCell e a Genoa Diagnósticos, voltadas para a área humana; e a Indicus Biotecnologia e Genoa Veterinária, com foco em saúde animal. Apesar de ter uma história recente (foi fundado em 2000), o grupo já tem vários produtos no mercado nacional, alguns inéditos, como a solução final da vacina para o tratamento de câncer, que já beneficiou mais de 100 pacientes, e o recém-lançado Programa Nacional de Genética Aplicada, de análise de rebanhos com a finalidade de definir perfis e melhorar a produção pecuária.
A vacina, explicou Diogo, impede o avanço da doença e começou a ser estudada em 1996, antes da criação oficial da Genoa, por um grupo de médicos que administra o Laboratório de Patologia Cirúrgica e Molecular que funciona dentro do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, cujo conselho acompanhou o seu desenvolvimento.
Desde que foi fundado até este ano, o grupo investiu cerca de US$ 4 milhões em seus projetos de biotecnologia, incluindo os que ainda estão em pesquisa, sendo que em torno de 70% foram provenientes de capital próprio e o restante financiado por instituições de apoio ao fomento tecnológico e científico, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A área animal responde por 60% da receita da Genoa.