Notícia

Correio Popular (Campinas, SP)

Pesquisas da cana têm R$ 173 milhões até 2014

Publicado em 06 julho 2008

Três programas se destinam a “desconstruir” a planta estratégica, mas ainda desconhecida

Três programas científicos terão R$ 173 milhões até 2014 para armar cientistas brasileiros na guerra da bioenergia. Eles se destinam a “desconstruir” geneticamente a cana-de-açúcar, uma planta que é estratégica, mas cujas entranhas ainda não são bem conhecidas, apesar de um projeto genoma já ter sido feito.

Os programas foram lançados na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Serão liberados R$ 73 milhões até o fim deste ano e outros R$ 100 milhões entre 2009 e 2014.

Os recursos sairão dos cofres paulista, federal, mineiro e da iniciativa privada. A gama de assuntos é grande. Até o impacto social da cultura da cana, cada vez mais hegemônica, será estudado. “Acredito que teremos projetos também nesse campo”, afirma Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp.

O programa principal, no entanto, visa soletrar todo o DNA da planta. “Agora, vamos fazer o genoma completo”, disse Marie-Anne Van Sluys, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. O genoma anterior, encerrado em 2003, revelou as chamadas seqüências expressas da planta (pedaços de genes transcritos em moléculas de RNA). “O que faz da cana ser a cana?”, pergunta a cientista. A resposta, disse, está também no desconhecido, nos 13% dos genes que não foram estudados. A cana é considerada um “frankenstein” genômico porque muitas variedades foram cruzadas.