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Cana Oeste

Pesquisas avaliarão produção de energia X alimento

Publicado em 29 julho 2009

Por Carlos Rangel

Um projeto chamado Bionergia Sustentável Global: Viabilidade e Caminhos para Implementação (Global Sustainable Bioenergy: Feasibility and Implementation Paths) vai debater a possibilidade de uso em escala mundial de biocombustíveis. O projeto reúne cientistas, advogados ambientais, formuladores de políticas públicas e será desenvolvido em três etapas, informa a assessoria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A primeira será composta de reuniões realizadas em cinco regiões, com início em novembro, na Malásia, seguidas de encontros, no primeiro semestre de 2010, na Holanda, África do Sul, no Brasil e nos Estados Unidos.

Na segunda etapa, os pesquisadores pretendem responder a seguinte questão: será possível atender à demanda mundial por geração de eletricidade a partir de fontes vegetais e satisfazer, ao mesmo tempo, as necessidades de alimentação humana e preservação da natureza?

Por fim, o projeto irá analisar a implementação de questões técnicas, sociais, econômicas, políticas e éticas com o objetivo de desenvolver estratégias para uma transição para uma sociedade sustentável responsável.

O comitê organizador das reuniões no Brasil será coordenado pelo diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, e pelo pesquisador do Centro Nacional de Referência em Biomassa, vinculado ao do Instituto de Eletrotécnica e Energia, da Universidade de São Paulo (USP), José Goldemberg.

Projeto avaliará, entre outros aspectos, em que escala a experiência bem-sucedida do Brasil na substituição de petróleo por etanol de cana-de-açúcar pode ser replicada em outros países. O objetivo é produzir conhecimento sistematizado de forma a contribuir para a formação de um consenso de que muitos países são capazes de produzir uma quantidade relevante de biocombustível, seja à base de celulose, cana-de-açúcar ou outros insumos.

A iniciativa foi idealizada e é liderada pelos pesquisadores Nathanael Greene, do Natural Resources Defense Council, em Nova York; Tom Richard, da Universidade Estadual da Pensilvânia; e Lee Lynd, da Thayer School of Engineering, Dartmouth College e Mascoma Corporation.

O Brasil é o maior produtor de etanol de cana-de-açúcar e ocupa posição de liderança na tecnologia de sua produção. Segundo Brito Cruz, a produção de etanol a partir de cana-de-açúcar não é uma solução aplicável a qualquer ambiente, principalmente porque é preciso levar em conta aspectos como impactos da mudança de uso da terra, emissão de CO2 e produção de alimentos. Para ele, o fato de outros países passarem a produzir biocombustível não tira a oportunidade do Brasil de exportar. "A estratégia brasileira deve considerar também a oportunidade de exportar tecnologia de produção e distribuição."

Fonte: DiárioNet