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Pesquisadores vão estudar células imunes do tecido adiposo de pessoas magras e obesas

Publicado em 14 maio 2020

Por André Julião, da Agência FAPESP

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto Nacional do Câncer (Inca) vão estudar diferentes populações de macrófagos – tipo de célula do sistema imune – presentes nos tecidos adiposos de pessoas magras e obesas, de ambos os sexos. O objetivo é entender como essas células atuam no processo inflamatório de pacientes com obesidade, mais propensos a doenças crônicas como diabetes e hipertensão arterial e também a complicações da COVID-19.

O grupo brasileiro é o único da América Latina contemplado na chamada internacional “Single-Cell Analysis of Inflammation”, da Chan Zuckerberg Initiative (CZI). O projeto foi contemplado com US$ 525 mil, para serem aplicados em dois anos. A equipe é liderada pelos pesquisadores Marcelo Mori e Pedro Moraes-Vieira, ambos do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, em conjunto com Mariana Boroni, pesquisadora do Inca, no Rio de Janeiro.

Os pesquisadores da Unicamp foram recentemente contemplados na chamada Suplementos de Rápida Implementação contra COVID-19 da FAPESP. Mori investiga como o envelhecimento contribui para a infecção pelo SARS-CoV-2, enquanto Moraes-Vieira estuda os fatores de risco associados à maior gravidade da COVID-19, além de fazer o mapeamento de vias metabólicas necessárias para a resposta contra o SARS-CoV-2.

Mori e Moraes-Vieira fazem parte ainda do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

O estudo vai analisar uma amostra de 10 mil células presentes no tecido adiposo subcutâneo e visceral de forma individualizada. As amostras de tecido deverão ser colhidas pela equipe do médico Elinton Adami Chaim, professor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, assim que o estudo obtiver aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa.

“A ideia é determinar moléculas que diferenciam subpopulações de macrófagos das pessoas obesas e magras, a fim de identificar novas populações dessas células. Vamos identificar os marcadores moleculares encontrados em cada uma das 10 mil células, definir as subpopulações existentes e validar os achados usando citômetro de fluxo. Isso vai permitir a análise de até 30 marcadores simultaneamente em cada célula”, explica Moraes-Vieira.

O aparelho de citometria de fluxo multiparamétrico foi adquirido recentemente pelo Instituto de Biologia da Unicamp com financiamento da FAPESP.

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.