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DCI

Pesquisadores unem-se para combater a tuberculose

Publicado em 27 abril 2002

A tuberculose no Brasil, que afeta mais de 130 mil pessoas anualmente e coloca o País em 13° lugar no ranking mundial em número de ocorrências, poderá em breve ser melhor controlada. Já começou a ser organizada uma rede de estudo, denominada RedeTB, que permite integrar pesquisadores de todo o Brasil a fim de encontrar soluções na tentativa de conter a doença. O programa faz parte do Instituto do Milênio, recém-criado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O órgão investirá cerca de R$ 6 milhões nos próximos três anos. Enquanto Sylvia Leão, coordenadora de pesquisa básica do Instituto da Tuberculose do Programa do Milênio, será formados grupos responsáveis por diferentes linhas de pesquisa, desde o desenvolvimento de novas vacinas e medicamentos até exames de diagnósticos mais rápidos e eficientes. "Antes, as pesquisas ficavam fracionadas, agora com a rede, poderemos unir todos os estudos já realizados e desenvolver novas pesquisas de forma conjunta", diz a pesquisadora. Uma das vacinas que será estudada é a hsp65, criada pelo professor Célio Lopes, atual coordenador do projeto e responsável pelo desenvolvimento de novos produtos. Segundo Sylvia, desde 1995 já existem estudos bem adiantados realizados em camundongos. "Talvez nos próximos dois ou três anos, a vacina poderá ser aplicada no ser humano ou em macaco". Para Sylvia, a criação da Rede TB pelo governo atende reivindicações feitas por pesquisadores brasileiros há cerca de dois anos, quando foi realizado um encontro mundial que uniu diferentes países do terceiro mundo. "A intenção é de que as pesquisas continuem mesmo depois de terminado o projeto Milênio. Queremos que a rede se fortaleça cada vez mais", diz. QUADRO ATUAL Segundo Sylvia, a única vacina disponível no País é a BCG (Bacilo Calmette Guérin), que não oferece total imunização contra a tuberculose. Existem três tipos de medicamentos (isoniazida, rifampicina e pirazinatnida), que são aplicados no paciente para conter a doença, durante seis meses. "Isso significa muito tempo. São necessários remédios mais eficazes", diz a pesquisadora. De acordo com ela, os medicamentos no Brasil só podem ser adquiridos de forma gratuita nos centros de saúde da rede pública. Além disso, é preciso diminuir o tempo de diagnóstico da tuberculose. Os médicos demoram muito tempo para relacionar os sintomas do paciente à tuberculose, pelo fato de a doença afetar diferentes partes do organismo, como pulmão, rim, sistema nervoso e estômago. Outro fator que interfere no diagnóstico da doença é que a bactéria causadora da tuberculose leva cerca de um mês para ser cultivada para a confirmação do diagnóstico, sendo que a maioria dos outros organismos, no máximo dois dias. Fabiana Pio