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Pesquisadores revisam indicador que avalia a limitação de mobilidade em idosos

Publicado em 25 fevereiro 2021

Por Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP

O envelhecimento resulta em perda de massa e força muscular, o que, em alguns casos, compromete a mobilidade, dificulta a caminhada ou a execução de tarefas do dia a dia, além de expor o idoso ao risco de quedas e internações.

Na prática clínica, o monitoramento da força da preensão manual de idosos é o método mais utilizado para identificar a perda da força muscular global. O alerta de risco surge quando se registra força de pressão manual menor que 26 kg para homens e menor que 16 kg para mulheres.

Esses parâmetros estão sendo revisados. Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), a Escola de Enfermagem e a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e da University College London (UCL), sugerem valores da força de preensão manual mais altos que os utilizados em consultórios médicos, de fisioterapeutas e de nutricionistas. A nota de corte mais alta permite um diagnóstico precoce e o desenvolvimento de intervenções antes do agravamento clínico.

“Nosso estudo tem o objetivo de impedir esse roteiro que leva a perda de mobilidade. A partir da análise de dados populacionais e métodos estatísticos apropriados, testamos as notas de corte já utilizadas e verificamos que valores mais altos que os anteriormente propostos, como é o caso da força menor que 32 kg para homens e menor que 21 kg para mulheres, identificam de modo mais preciso idosos com limitação de mobilidade”, diz Tiago da Silva Alexandre , professor do Departamento de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Alexandre coordena o International Collaboration of Longitudinal Studies of Aging (InterCoLAging), um consórcio de estudos longitudinais que inclui dados epidemiológicos do Brasil e da Inglaterra. Dessa forma, o estudo, apoiado pela FAPESP , contou com dados de 5.783 pessoas com 60 anos ou mais, todas participantes do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), na Inglaterra, coordenado por Andrew Steptoe com apoio de Cesar de Oliveira, e do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE), no município de São Paulo – esse último também é apoiado pela Fundação e coordenado por Yeda Duarte e Jair Licio Ferreira Santos .