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G1

Pesquisadores reproduzem em laboratório efeitos da zika na gestação

Publicado em 23 fevereiro 2017

Pesquisadores de Campinas apresentaram um estudo sobre os efeitos do virus da Zika na formação dos bebês.

Os pesquisadores do Laboratório Nacional de Biociências injetaram em camundongos uma quantidade de vírus da zika bem próxima da que o Aedes aegypti carrega. E de uma maneira parecida com a picada do mosquito.

"O que a gente fez foi conseguir reproduzir exatamente o que acontece num ser humano, onde as defesas imunológicas são todas saudáveis, o animal saudável, e a gente conseguiu mostrar que mesmo nesse tipo de modelo, o vírus é capaz de alcançar o embrião”, explica o pesquisador Murilo Carvalho.

De acordo com o estudo, nos casos em que o embrião é infectado, o vírus pode impedir que o tubo neural, que é a estrutura que dá origem à espinha e ao cérebro, se feche da maneira correta. Isso aumenta o risco de acúmulo de líquido na cabeça do feto, que pode pressionar o cérebro e impedir que ele cresça como deveria. O que pode causar a microcefalia.

Com a descoberta de como começam os problemas de formação, os pesquisadores concluíram que o período em que o contato com o vírus é mais perigoso acontece antes do que se imaginava. O risco do bebê ter problemas de desenvolvimento é maior se a mãe for infectada entre a 2º e a 5º semana de gestação, período que muitas mulheres nem sabem que estão grávidas.

"A gente viu que a partir de um determinado estágio de desenvolvimento de camundongo, que seria comparável à estágio mais tardios da gravidez em humano, depois da 5º semana, a gente não conseguiu identificar más-formações, mas a gente identificou o virus nos embriões, então a gente não pode falar que existe uma janela segura para as grávidas após a 5º semana", orienta o pesquisador.