Notícia

Em Tempo (Manaus, AM) online

Pesquisadores realizam pesquisa inédita no Pico da Neblina e descobrem novas espécies

Publicado em 27 novembro 2017

A partir de um levantamento na área entre Maturacá, em Santa Isabel do Rio Negro, (a 846 km de Manaus) e o Pico da Neblina, a expedição “Traços Biológicos do Passado na Biodiversidade Presente da Amazônia do Norte” terminou nesta segunda (27) após um mês de estudos. A pesquisa contou com dez pesquisadores de Unidades de Ensino e Pesquisa da USP e foi liderada pelo professor Miguel Trefaut Rodrigues.

O estudo deve como principal objetivo coletar material para a compreensão das relações históricas e os contatos iniciais entre a Amazônia e a Mata Atlântica durante os períodos glaciais.

Segundo o chefe da equipe de pesquisadores, Miguel Trefaut, diversas espécies da fauna e da flora foram descobertas durante a expedição, que teve apoio do Exército.

“Nos últimos dez anos estamos atingindo quase 200 pesquisadores de todo Brasil que estiveram na Amazônia. O Exército proporciona transporte, apoio logístico, segurança, alimentação e a tranquilidade para que todos esses pesquisadores possam fazer seu trabalho. Temos independência acadêmica, isso é, não dependemos de nenhum outro país para desenvolver nossas pesquisas”, revelou.

A pesquisa foi desenvolvida em três frentes permitindo deduzir como esse segmentos se comportaram durante épocas de climas mais frios e mais quentes que as atuais:

1) répteis e anfíbios;

2) aves e mamíferos;

3) botânica,

A expectativa é que o estudo ajude a explicar os motivos da diversidade brasileira e, como resultado, seja possível descobrir novas espécies e quantificar as já existentes na região. O projeto faz parte do programa Biota Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) “Dimensões da Biodiversidade” e conta com apoio logístico e estratégico do Exército Brasileiro.

“Eu me emocionei pelas palavras do professor Trefaut a respeito da a independência acadêmica. É fundamental que a pesquisa básica seja apoiada. O resultado disso é o acúmulo de conhecimento", conta o comandante militar da Amazônia, general Miotto

Segundo o pró reitor de pesquisa da USP, José Eduardo Krieger, a expedição foi um sucesso. “Pudemos conhecer uma área que era uma lacuna nas pesquisas. São novos exemplares de vários animais e plantas, coletamos mais de 700 répteis e anfíbios, mais de 105 espécies e dez delas são novas para a Ciência. Descobrimos novas relações dessas espécies com a Amazônia, são 1,5 mil amostras de plantas que vão para o herbário. Agradecemos a (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ao Exército brasileiro, pela impressionante capacidade de mobilização e organização" elogiou Krieger.

Ainda de acordo com o pro reitor, o material coletado será fonte de novos conhecimentos. "Todas essas amostras serão cuidadosamente estudadas. Agora temos ‘trabalho de casa’ para pelo menos dois anos! Logo vocês verão resultados”, comemorou.