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Jornal de Itatiba

Pesquisadores realizam estudo de ancestralidade em mais de 260 pessoas

Publicado em 07 fevereiro 2020

Adaptações evolutivas que ocorreram no passado podem ter implicado na maior propensão genética para acumular açúcares e gorduras na população da região de Campinas, causando, assim, doenças como diabetes e obesidade.

O diagnóstico vem de um estudo de ancestralidade, realizado em 264 pessoas, desenvolvido desde novembro de 2015, por pesquisadores do Instituto Brasileiro de Neurociência e Neurotecnologia (), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que funciona na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Segundo a chefe do laboratório, em entrevista ao jornal Correio Popular, Iscia LopesCendes, que coordenou a pesquisa, foi feito um mapeamento de, aproximadamente, 900 mil marcadores genéticos em cada um dos voluntários.“ Foi o primeiro estudo com esse nível de resolução no Brasil ”, disse Iscia.

Ancestraliedad Pelo fato da expressiva presença de descendentes de imigrantes do sul da Europa, os genomas mapeados apresentam um forte predomínio de marcadores de origem europeia. Porém, o que intrigou os pesquisadores e acabou gerando a publicação no Scientific Reports, jornal científico inglês, foi que 10% de ancestralidade indígena forneceram o elemento mais relevante do ponto de vista de saúde pública: o PPPIR3B, um gene associado à capacidade do organismo de acumular as moléculas glicídios e lipídios, e por isso desenvolvendo obesidade e síndromes metabólicas correlatas, como diabetes tipo 2.

Problema Presente endes explica que uma das hipóteses é que a região do cromossomo 8 tenha sido submetida a um processo de pressão seletiva no passado, voltada para melhor adaptar os indivíduos ao meio. “ Em uma época que a comida era escassa, o gene PPPIR3B daria uma vantagem evolutiva aos seus portadores, possibilitando que vivessem por mais tempo ”.

Contudo, o que foi uma vantagem no passado, hoje é problema em um contexto de alta ingestão calórica e sedentarismo, agravados por hábitos como tabagismo e consumo exagerado de álcool. Outro levantamento está sendo realizado em várias regiões de São Paulo para verificar se existe o mesmo cenário. “ Se eu fosse gestora do sistema de saúde pública da região, daria uma grande ênfase aos programas de prevenção de obesidade e diabetes ”, finalizou Iscia.