Notícia

Inovação Tecnológica

Pesquisadores mostram avanços para aviões brasileiros do futuro

Publicado em 10 novembro 2011


Foram apresentados nesta terça-feira, em São Paulo, os resultados parciais de três projetos cujo objetivo é tornar os aviões brasileiros mais confortáveis, mais silenciosos e mais seguros.

As pesquisas estão sendo financiadas pelo Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) da FAPESP, em parceria com a Embraer.

Os pesquisadores relataram o andamento dos projetos, os avanços já obtidos e os planos futuros, uma vez que os projetos ainda não foram finalizados.


Conforto nos aviões

Jurandir Itizo Yanagihara, professor da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), descreveu o projeto "Conforto de cabine: desenvolvimento e análise integrada de critérios de conforto".

Os cientistas desenvolveram um ambiente que simula uma cabine, especialmente construído para que a integração seja possível.

"Esse equipamento é muito sofisticado e é o segundo a ser construído no mundo. Só existe outro semelhante no Instituto Fraunhofer, na Alemanha. Ao fim do estudo, o objetivo é que não tenhamos apenas resultados de cada tecnologia, mas uma análise integrada, medindo como cada critério afeta o resultado final de conforto. A primeira fase terminará no início de 2012, com um pacote de análise integrador", explicou.

O projeto - que envolve a USP, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) - realiza diversos estudos voltados para incorporar às aeronaves tendências inovadoras de conforto no interior da cabine das aeronaves.

Uma das tendências identificadas pelo projeto, segundo Yanagihara, é a criação de espaços individualizados nos aviões e, em grandes aeronaves, espaços alternativos para interação entre os passageiros.

"A tendência é fazer com que as pessoas tenham um espaço adequado para descansar ou trabalhar. A iluminação também é um dos critérios que nós trabalhamos, analisando o uso de LEDs para proporcionar modificações no ambiente", declarou.

Nos estudos sobre o ambiente térmico, por exemplo, os pesquisadores conseguem simular temperaturas de 14 a 37 graus na cabine e nas paredes internas e variar a umidade relativa de 12 a 70%.

"Há muitos outros estudos, que vão do microclima no assento, até o estudo dos efeitos de pressão de cabine - feitos com um modelo de cavidade timpânica - passando por aspectos psicofisiológicos, isto é, uma avaliação de como o passageiro percebe o conforto", disse.



Aviões mais silenciosos

O projeto "Aeronave silenciosa: uma investigação em aeroacústica" foi apresentado por Júlio Romano Meneghini, da Poli-USP. Segundo ele, as discussões em torno do projeto tiveram início em 2005 e a primeira fase já foi encerrada.

O objetivo principal do projeto, segundo o pesquisador, é propor métodos e equipamentos supressores de ruído.

"Não se trata da geração de ruído na cabine, mas no entorno dos aeroportos. Uma pista de dois quilômetros gera um ruído que pode chegar a 20 ou 30 quilômetros do aeroporto. Precisamos de muita pesquisa para conciliar o aumento do número de voos e as restrições de ruído", declarou.

Uma das iniciativas é localizar a fonte de geração de ruído e fazer modificações geométricas na superfície aerodinâmica da aeronave.

A outra é replanejar o urbanismo e a gestão do território no entorno dos aeroportos.

"Nosso projeto foca em ser capaz de simular e medir ruídos da superfície aerodinâmica, jato e trem de pouso, principalmente. O foco está nesses aspectos porque a Embraer é totalmente responsável por eles. A indústria aeronáutica, ao contrário do que ocorre na automobilística, projeta seus componentes no Brasil e eventualmente os fabrica no exterior", disse.

Grande parte dos recursos do projeto foi usada para a aquisição de um supercomputador. Uma grande parte também é investida na vertente experimental dos estudos, como as medições de ruído realizada com grandes conjuntos de microfones na cabeceira de uma pista experimental, de cinco quilômetros de extensão, localizada em Gavião Peixoto, no interior paulista.

"Não é algo trivial fazer essas medições porque não podemos nos limitar ao ruído global da aeronave. Precisamos saber, a dois quilômetros de distância, quando um ruído é proveniente da asa, dos flaps, da turbina ou do trem de pouso, por exemplo", afirmou.

No final de sua primeira fase, o projeto já solicitou duas patentes relacionadas aos atenuadores de ruídos.

"Conseguimos cruzar a fronteira tênue entre estudos básicos e inovação. E alcançamos um objetivo importante: gerar um núcleo de excelência para cada especialidade em cada instituição de pesquisa. Hoje temos centros de excelência com reconhecimento internacional que não tínhamos no início do projeto", afirmou.


Materiais aeronáuticos leves e baratos

Sergio Müller Frascino, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), apresentou o projeto "Estruturas Aeronáuticas de Materiais Compósitos".

"O projeto tem o objetivo de desenvolver soluções para estruturas feitas com materiais compósitos para aplicação aeronáutica. Estimamos que esses materiais podem proporcionar uma redução de 10% a 15% do peso e de 10% do custo da aeronave, em comparação com os materiais convencionais", disse Frascino.

"A programação do projeto inclui a implementação de um laboratório de última geração no Parque Tecnológico de São José dos Campos, a fim de gerar competência, nas universidades, nas áreas críticas de tecnologias de materiais compósitos.

O projeto faz a validação de novas tecnologias, processos, métodos e critérios de projeto, cálculo, manufatura e ensaios com materiais compósitos, a fim de comprovar seus benefícios e limitações.

As linhas de pesquisa envolvidas incluem anteprojeto, otimização, pós-flambagem, delaminação, efeitos térmicos, juntas e reparos, comportamento eletromagnético e processos de fabricação como infusão de resina, laminação automática, resinas termoplásticas e termorrígidas e inspeção por ultrassom.

Segundo ele, o projeto, por envolver tecnologia de ponta, é vital para a competitividade do setor aeronáutico brasileiro.

"As tecnologias que desenvolvermos com esses materiais, por outro lado, serão aplicáveis a outros setores, como o espacial, o de petróleo, o automotivo e o de energia eólica", afirmou.

Este é o mais novo dos três projetos, com os recursos liberados apenas recentemente, o que explica o estágio inicial dos trabalhos.

Com informações da Agência Fapesp