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Pesquisadores mapeiam migrações no território paulista

Publicado em 17 abril 2018

Um levantamento realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), publicado no "Atlas Temático - Observatório das Migrações em São Paulo", indica que, dos 5.570 municípios brasileiros, 3.432 tiveram ao menos um registro de imigrante internacional, como boliviano, haitiano e, mais recentemente, cubano e venezuelano, entre 2000 e 2015.

A constatação integra o estudo conduzido por pesquisadores do Observatório das Migrações em São Paulo, da Unicamp, presente na obra apresentada em 6 de abril, em evento na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A pesquisa, financiada pela Fapesp, investigou os fluxos de migrações internacionais no território paulista nas últimas décadas, com o objetivo de subsidiar políticas públicas que assegurem a inclusão, a garantia de direitos e o acesso aos serviços públicos por essas populações.

Esses novos fluxos de imigrantes, que têm chegado com maior frequência e intensidade ao Brasil nos últimos anos, contribuem para reconfigurar os padrões da migração internacional para a nação. O projeto completou dez anos e está em sua segunda fase.

Na primeira etapa, os pesquisadores analisaram o fenômeno migratório no Estado de São Paulo no período entre 1794 e 2010. Na segunda fase, iniciada em 2014 e que se encerra no fim de 2018, estudam as migrações internas e internacionais contemporâneas, também no Estado de São Paulo, entre 2010 e 2018.

"Embora o foco do trabalho seja São Paulo, também analisamos os cenários nacional e internacional para entender como o Brasil e, mais especificamente, o Estado se inserem na rota das migrações internacionais", explica Rosana Baeninger, pesquisadora do Núcleo de Estudos da População (Nepo) da Unicamp e coordenadora do projeto.

"Nosso objetivo é que os gestores possam ler e interpretar as informações que compilamos de diversas bases de dados para subsidiar a implementação de políticas públicas voltadas ao acolhimento dos imigrantes nos âmbitos municipal, estadual e federal", diz.

De acordo com dados tabulados pelos pesquisadores, entre 2000 e 2015 foram registrados 879.505 imigrantes internacionais no Brasil, dos quais 367.436 foram cadastrados no Estado de São Paulo. O maior fluxo migratório para o Brasil nesse período foi de bolivianos, seguido por norte-americanos e haitianos, aponta o levantamento.

Os imigrantes internacionais estão distribuídos por todos os estados brasileiros. Em Sergipe, por exemplo, 43 municípios registraram a presença de imigrante internacional entre 2000 e 2015, e no Ceará 119 municípios também tiveram pelo menos um registro no mesmo período.

Os 8.437 venezuelanos que registraram residência no Brasil nesse mesmo período, por exemplo, estão presentes, além das regiões de fronteira, como a situada em Roraima, também na maior parte dos estados.

"Isso rompe com o imaginário de que a rota das migrações internacionais no Brasil passa pelas fronteiras, segue para as metrópoles, principalmente das regiões Sul e Sudeste do país, e se espalha para outros estados", destaca Rosana Baeninger.

No caso de São Paulo, dos 645 municípios, 489 registraram a presença de imigrantes internacionais. Em 2016, o número saltou para 580 municípios com a presença de imigrantes, constataram os pesquisadores.

A exemplo do que ocorre em todo o país, a principal origem do fluxo migratório para São Paulo entre 2000 e 2015 foi a Bolívia, seguida pela China e os Estados Unidos. Já no período mais recente ocorreu um decréscimo da presença de europeus e norte-americanos no Estado e aumentou a de cubanos, venezuelanos e angolanos, além de refugiados oriundos da Síria, Congo, Colômbia, Mali, Angola, Iraque e Líbano.