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Gazeta Mercantil

Pesquisadores lutam pela criação do projeto genoma do café

Publicado em 28 setembro 2001

Por Hérica Lene - hericalene@gazetamercantil.com.br
Pesquisadores estão buscando parcerias para a criação de um projeto para fazer o seqüenciamento genético do café. O coordenador geral do Genoma Cana-de-Açúcar, o pós-doutor em Biologia Molecular Paulo Arruda, que esteve em Vitória, ontem, para participar do II Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, informou que está sendo discutida a implantação de um projeto semelhante ao da cana para identificar os genes do fruto cafeeiro. A iniciativa deverá contar com o apoio da Federação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "No projeto Cana-Sucest identificamos 43 mil genes da cana-de-açúcar em 291.669 seqüências analisadas. Analisamos qual o mecanismo de resposta dessa planta ao frio e, então, identificamos o aparecimento de 14 genes novos que não constavam na literatura científica. Observamos que há genes responsáveis pela tolerância ao frio e que podem existir também no café", afirmou Arruda, também diretor do Centro de Biologia Molecular da Unicamp. A identificação dos genes do fruto cafeeiro, em sua avaliação, vai abrir campo para futuras pesquisas de melhoria da qualidade do café. "Isso seria muito importante para agregar valor ao produto, uma vez que será possível identificar os genes responsáveis pelo aroma e pelo sabor, por exemplo. O Estudo da cana-de-açúcar mostra que, podemos tentar obter plantas tolerantes ao frio. Estamos discutindo parcerias com o pessoal do café para criar o projeto", ressaltou o pesquisador, que preferiu não falar sobre os possíveis parceiros. O Genoma Cana-Sucest, programa apoiado pela Fapesp, foi lançado em 1998. Envolve 48 laboratórios em várias instituições de pesquisa do País, que estão ligadas a um centro virtual. Eles integram o Data Mining, projeto que seleciona os principais genes e a potencialidade de cada um. O investimento no seqüenciamento genético da cana foi de US$ 4 milhões. No último mês de agosto, a Fapesp e a empresa de biotecnologia belga Cropdesign assinaram um acordo de cooperação científica na área de agricultura para analisar a funcionalidade de mil genes da cana-de-açúcar, dentro do projeto Genoma Cana-Sucest. O objetivo é identificar os genes capazes de melhorar a produção dessa variedade, dar mais resistência ao clima e às pragas. No II Simpósio de Pesquisados Cafés do Brasil, promovido pelo Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café), no Centro de Convenções de Vitória. Arruda falou sobre o tema Programa Sucest: o caso da cana-de-açúcar e suas potencialidades para o café. O evento, iniciado na segunda-feira última e encerrado ontem, teve como objetivo divulgar os avanços conseguidos em estudos sobre tecnologias e produtos relacionados aos segmentos que compõem a cadeia produtiva do café. O Espírito Santo, segundo maior produtor nacional de café e o primeiro da variedade conilon, foi escolhido para sediar o simpósio em função da importância da cafeicultura no estado. É sua principal atividade agrícola e gera uma receita anual de. Aproximadamente, R$ 520 milhões, o que corresponde a 40% do valor bruto da produção agropecuária estadual.