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Pesquisadores lançam Atlas do Trabalho Escravo

Publicado em 25 maio 2012

O Globo


Um analfabeto funcional, homem e migrante (geralmente do Maranhão, do norte do Tocantins ou do oeste do Piauí). Este é o perfil do escravo brasileiro do século 21, de acordo com os autores do Atlas do Trabalho Escravo no Brasil, de 82 páginas, publicado na internet. Com a iniciativa, os pesquisadores esperam poder auxiliar na implementação da legislação e orientar as políticas públicas de combate à escravidão.

Geógrafos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de São Paulo (USP) mapearam o trabalho escravo no Brasil, determinando, pela primeira vez, sua distribuição, fluxos e modalidade. Há dois índices: o de Probabilidade de Trabalho Escravo e o de Vulnerabilidade ao Aliciamento. O projeto da publicação é da ONG Amigos da Terra - Amazônia Brasileira.

- O Atlas demonstra que há uma profunda ligação entre escravidão e pobreza extrema. Não por acaso muitos trabalhadores escravizados são provenientes do Maranhão e do Piauí, que são as unidades mais pobres da Federação. O trabalho escravo ocorre principalmente nas propriedades cuja localização é muito remota - disse Eduardo Paulon Girardi, da Unesp, à Agência Fapesp. - Ao ser aliciado em uma região pobre, com promessas de um salário que nunca conseguiria ali, o trabalhador contrai a dívida relativa ao transporte ao local de trabalho – geralmente exorbitante.

Desde 1995, mais de 42 mil pessoas foram libertadas das condições de escravidão no Brasil, de acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT).