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Pesquisadores isolam bactéria que produz plástico a partir do metano

Publicado em 14 abril 2017

Das águas turvas e poluídas do Sistema Estuarino de Santos pode emergir uma solução para produzir por meio de um processo sustentável um polímero (plástico) que pode ter alto valor agregado.

Um grupo de pesquisadores ligados ao Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente (Cepema) da Universidade de São Paulo (USP) isolou naquela região do litoral sul paulista uma bactéria capaz de produzir um biopolímero – polímero produzido por processo biotecnológico.

A descoberta foi feita durante um projeto realizado no âmbito do Centro de Pesquisa para Inovação em Gás Natural (Research Centre for Gas Innovation RCGI) – apoiado pela FAPESP e pela Shell por meio do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE).

“Ainda não caracterizamos o polímero produzido pela bactéria, mas nossas análises indicam que é bem diferente dos relatados na literatura científica”, disse Elen Aquino Perpétuo, professora do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora do projeto, à Agência FAPESP

A pesquisadora e os colegas Bruno Karolski, também pesquisador do Cepema-USP, e a doutoranda Letícia Cardoso iniciaram há cerca de um ano um projeto visando desenvolver processos biotecnológicos utilizando microrganismos para mitigação de metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2), amplamente presentes no gás natural.

A fim de desenvolver a pesquisa eles começaram a prospectar bactérias chamadas de metanotróficas – que têm a capacidade não só de consumir, mas também de transformar metano e metanol em polímeros como o polihidroxibutirato (PHB): um polímero da família dos polihidroxialcanoatos (PHA) com características físicas e mecânicas semelhantes às de resinas sintéticas como o polipropileno.

Desenvolvido com apoio da FAPESP, o PHB é produzido no Brasil por uma indústria nacional em Serrana, no interior de São Paulo, a partir do açúcar da cana – um substrato 30% mais caro que o metanol.

“A ideia da nossa pesquisa é utilizar um substrato mais barato do que o açúcar – neste caso, o metano e o metanol – para produzir o PHB e viabilizar comercialmente sua produção por uma rota biológica”, explicou Aquino.

Agência Fapesp