Notícia

Jornal de Piracicaba

Pesquisadores investigam combinação para tratar periodontite em diabéticos

Publicado em 28 maio 2020

Por São Paulo

Associar suplementos de ômega e comprimi os de aspirina ao tratamento convencional para periodontite permite obter melhores resultados clínicos em pessoas com diabetes, ajudando até mesmo no controle da glicemia. A inflamação crônica na gengiva ocorre com frequência nos diabéticos e traz prejuízos importantes na qualidade de vida.

A conclusão é de um estudo apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e publicado no Journal of Periodo nto log y. A investigação foi conduzida durante o doutorado de Nidia Cristina Castro dos Santos no ICT (Instituto de Ciência e Tecnologia) da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em São José dos Campos.

“Periodontite e diabetes são doenças muito prevalentes na população e, frequentemente, ocorrem juntas. É, portanto, de grande interesse encontrar um tratamento relativamente barato e com poucos efeitos colaterais que ajude a combater os dois problemas ao mesmo tempo ”, comenta Nidia Cristina Castro dos Santos, autora N PA 2. tt A o divulgação do Estado de São Paulo Inflamação crônica na gengiva ocorre com frequência em pacientes e ocasiona prejuízos principal do trabalho.

METODOLOGIA

Para o ensaio clínico randomizado, Castro dos Santos e seu grupo recrutaram 75 indivíduos com periodontite de moderada a severa e diagnosticados com diabetes tipo 2 há pelo menos cinco anos, grande parte deles com a doença descompensada. Os participantes foram divididos em três grupos.

O primeiro, utilizado como controle, foi submetido apenas ao debridamento, que é a remoção mecânica do biofilme de bactérias que se acumula nos dentes e leva à inflamação no periodonto (nome técnico da gengiva). O procedimento também é conhecido como raspagem. O segundo grupo tomou uma combinação de 3 g (gramas) de óleo de peixe, fonte de ômega, e 100 mg (miligramas) de aspirina por dois meses após o procedimento. Já o terceiro ingeriu as mesmas doses, pelo mesmo período, mas antes realizar o debridamento.

“Nos dois grupos submetidos à abordagem combinada os resultados foram superiores aos dos voluntários que fizeram apenas a raspagem ”, afirma Castro dos Santos. Utilizar a suplementação após o debridamento, contudo, foi ainda melhor, com uma taxa de sucesso de 40% no tratamento, contra 16% no grupo controle.

Além disso, os voluntários submetidos a esse protocolo apresentaram redução nos níveis de interferon gama (Yy), interleucina 1 beta (IL-1B) e interleucina 6 (IL-6), três moléculas envolvidas em processos inflamatórios. Também se observou queda no nível de hemoglobina glicada no sangue, o que sugere melhora no controle da glicemia e, portanto, do diabetes.

Estima-se que a periodontite severa atinja 11% da população adulta. Nos diabéticos, a prevalência chega a 32%. Trata-se de uma relação de mão dupla.

“Tanto o diabetes aumenta a severidade e a frequência da doença periodontal quanto a periodontite prejudica o controle da glicemia ”, explica à Agência Fapesp Mauro Pedri ne Santamaria, professor da Faculdade de Odontologia de São José dos Campos da Unesp e orientador da pesquisa.

A inflamação é o elo entre ambas. A alta concentração crônica de açúcar no sangue, efeito do diabetes, leva a um estado inflamatório sistêmico, que facilita o aparecimento da periodontite. “ E a inflamação na gengiva libera mediadores inflamatórios na circulação, que impedem uma ação adequada da insulina e pioram o metabolismo da glicose ”, explica.