Notícia

Jornal do Comércio (RS)

Pesquisadores investigam casos de malária no Acre

Publicado em 02 agosto 2018

Mâncio Lima, no Acre, tem 17.910 habitantes. É o município campeão de malária no Brasil, em termos proporcionais. Em 2017, mais de metade da população foi diagnosticada com a doença. Entre os casos, há uma proporção de ocorrência relativamente alta na zona urbana, fato não muito comum e que parece ser exclusivo da cidade.

Além disso, em meados dos anos 2000, o governo do Estado do Acre implantou um projeto para fomentar a piscicultura e construiu na região vários tanques para a criação de peixes. Ao longo dos anos, muitos foram abandonados e se tornaram um foco perfeito para o desenvolvimento das larvas de Anopheles, o mosquito vetor da malária.

Este cenário levou pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) a desenvolverem projeto na cidade. O objetivo é entender a ocorrência da malária na região e fornecer instrumentos para combater a doença.

“Um foco do estudo é a contribuição de pessoas infectadas que não recebem tratamento, pois não têm sintomas, mas são fonte de infecção dos mosquitos vetores da doença. Outro foco é contribuição dos tanques de piscicultura como criadores artificiais que ajudam a aumentar a densidade dos vetores na região”, explica o professor do Instituto Marcelo Urbano Ferreira. Ele é responsável pelo Projeto Temático: Bases científicas para a eliminação da malária residual na Amazônia brasileira, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Os pesquisadores estão desenvolvendo modelos matemáticos de transmissão de malária, em colaboração com a Escola de Medicina Tropical de Liverpool, na Inglaterra.

(Jornal da USP)