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Pesquisadores identificam proteína associada ao agravamento da leucemia mieloide aguda

Publicado em 23 julho 2021

Uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) traz uma nova perspectiva de terapia para leucemia mieloide aguda (LMA), um tipo de câncer agressivo que afeta o sangue. A pesquisa foi realizada no Laboratório de Biologia do Câncer e Antineoplásicos do Departamento de Farmacologia do ICB.

De acordo com os pesquisadores, o estudo tem como objetivo aumentar o leque de opções para o tratamento da leucemia e foca na compreensão da biologia do câncer, assim como no estudo de novas moléculas com potencial terapêutico.

Existem mais de 12 tipos de leucemia, sendo que os quatro primários são leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfocítica aguda (LLA) e leucemia linfocítica crônica (CLL), segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

A LMA representa cerca de 80% das leucemias agudas do adulto e 36% dos óbitos de leucemia entre 2008 e 2017, sendo mais comum em pessoas com mais de 60 anos. Os tratamentos disponíveis são quimioterapia ou transplante de medula óssea, única opção curativa em caso de falha aos tratamentos medicamentosos.

Os pesquisadores do estudo identificaram um marcador da evolução da doença, a proteína ezrina. A partir disso, fármacos que inibem a proteína podem ser usados para encontrar uma terapia não invasiva, especialmente para os idosos, que não são elegíveis para o transplante.

A pesquisa

A primeira etapa do trabalho buscou analisar dados do The Cancer Genome Atlas (TCGA) – iniciativa global de troca de informações sobre a doença. Na plataforma, são catalogadas as mutações genéticas responsáveis pelo câncer a partir de sequenciamento de genoma e bioinformática.

“Com os dados do TCGA, estudamos o papel das proteínas que regulam o citoesqueleto, um conjunto de fibras que ficam no citoplasma das células. Depois de minerar os dados, vimos que a ezrina tinha uma característica diferente das demais: os pacientes que tinham mais ezrina morriam mais. Isso é importante para entender como o câncer pode evoluir”, explica o professor e coordenador do estudo, João Agostinho Machado-Neto, em entrevista concedida à Acadêmica Agência de Comunicação.

A partir da proteína ezrina, os médicos poderiam atuar de maneira mais eficaz no tratamento. Isso porque, atualmente, em pacientes de grupo de risco intermediário é difícil prever o curso da doença. “A ezrina pode ser um critério para tomar uma decisão clínica no futuro e verificar se o paciente vai precisar ou não de uma terapia mais agressiva”, completa Machado-Neto.

Além da análise de dados, foram realizados testes in vitro com células leucêmicas humanas. Os pesquisadores conseguiram inibir a ezrina e aumentar a morte das células tumorais utilizando um medicamento que tem propriedades já conhecidas e até então só é utilizado em pesquisas.

Os pesquisadores apontam que o processo de identificar uma nova molécula e desenvolver um medicamento que possa ser usado em pacientes é longo, durando em média 15 anos. No entanto, esse avanço já é significativo, uma vez que a demanda por um novo tratamento é grande.

As primeiras análises foram realizadas em linhagens celulares humanas de uso comercial para pesquisa. Para a próxima etapa, o Comitê de Ética da USP autorizou a realização de testes em células de pacientes acometidos pela leucemia a partir da doação de uma amostra de sangue periférico ou de medula óssea.

A expectativa é que os testes em animais sejam iniciados nos próximos dois anos. Além disso, os pesquisadores estão testando compostos em outros tipos de leucemia, que também precisam de novas terapias.

O artigo do estudo, coordenado pelo professor João Agostinho Machado-Neto e conduzido pelo doutorando Jean Carlos Lipreri da Silva, ambos do ICB-USP, foi publicado na revista científica Cellular Oncology , sendo vinculado a três projetos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O conteúdo foi divulgado pela Agência Fapesp com informações da Assessoria de Comunicação do ICB-USP.