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Pesquisadores fazem testes com células-tronco e animais para entender vírus Zika

Publicado em 06 janeiro 2016

Por Michele Marques

Pesquisadores estão usando células-tronco e animais, como camundongos e macacos, para tentar entender como o vírus Zika afeta as células nervosas do cérebro humano. Os experimentos estão sendo feitos por uma rede de estudiosos, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A coordenação é do professor Paolo Marinho de Andrade Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), Paolo Marinho de Andrade Zanotto. “Tentamos entender o que está acontecendo no cérebro. Estamos usando modelos com camundongos e um modelo humano de microencéfalo, que são células-tronco modificadas, reprogramadas em laboratório, em uma condição onde elas se desenvolvem tridimensionalmente em uma estrutura parecida com um microencéfalo”, disse o professor.

As estruturas feitas a partir das células-tronco são infectadas pelo vírus Zika e, então, analisadas. Nos experimentos também estão sendo infectadas células de origem nervosa de insetos e de macacos. “Estamos começando a analisar o que que o vírus faz.”

Dados divulgados ontem (5) pelo Ministério da Saúde mostram que já foram notificados 3.174 casos suspeitos de microcefalia relacionada ao vírus Zika em recém-nascidos. Pela primeira vez, está sendo investigado um caso no estado do Amazonas. As notificações estão distribuídas em 684 municípios de 21 unidades da federação. Também estão em investigação 38 óbitos de bebês com microcefalia, possivelmente relacionados ao vírus Zika.

Uma pequena parte dos laboratórios brasileiros já é capaz de fazer testes de detecção do Zika a partir do DNA, mas o processo é complexo e demorado, e não há escala para atender a atual demanda. O desenvolvimento de testes rápidos e simplificados, que possam ser aplicados em grande escala, também está sendo feito pela equipe coordenada por Zanotto.

O pesquisador disse que a meta é ter alguma coisa pronta antes de um eventual surto em São Paulo. De acordo com Zanotto, existe a possibilidade de isso ocorer de forma mais intensa no final do verão. “No entanto, não há garantia de que o teste rápido fique pronto até o fim da estação. Espero que sim, pode ser até antes, pode ser depois. Isso não é como fazer bolo, que tem uma receita pronta”, afirmou.

EBC