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Fundacentro

Pesquisadores falam sobre sonolência, fadiga e o idoso no mercado de trabalho

Publicado em 19 setembro 2017

- Por ACS/ Alexandra Rinaldi e Débora Santos

Na quarta Roda de Conversa Fundacentro, evento promovido pela Diretoria Técnica da entidade e que tem como objetivo socializar as informações sobre as demandas de cada área, os pesquisadores Erica Lui Reinhardt, Dalton Tria Cusciano e Mauro Maia Laruccia falaram sobre “Percepções distintas de fadiga e sonolência de trabalhadores de turnos diurnos e noturnos” e “O idoso no mercado de trabalho”.

Realizada em 22 de agosto nas salas de aula 7 e 8 da Fundacentro em SP, o tema conduzido por Erica Lui faz parte de pôster apresentado no 23º Simpósio Internacional sobre Trabalho em Turnos e Jornadas de Trabalho, ocorrido em Yulara, Austrália, de 17 a 24 de junho de 2017.

A pesquisadora foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Para comparar como o turno pode influenciar a sonolência e fadiga do trabalhador, Erica utilizou metodologia que incluía acompanhamento do sono e duas escalas subjetivas abrangendo 19 trabalhadores do sexo masculino que trabalham das 7h às 17h e 16 trabalhadores que exerciam atividades das 21h às 6h de uma firma de metais sanitários, por um período de 5 dias consecutivos.

O acompanhamento do sono foi feito por meio do preenchimento pelos trabalhadores de protocolos de atividades diárias e actimetria; uma das escalas subjetivas permitiu acompanhar a sonolência e a outra a fadiga em dias de trabalho. O diagnóstico obtido foi que houve um aumento da sonolência e fadiga durante o trabalho para os trabalhadores do turno das 21h às 6h. Já para os trabalhadores do turno diurno, somente a fadiga. A análise da pesquisadora no que se refere ao aumento da fadiga tanto em trabalhadores noturnos quanto diurnos é proveniente do desgaste originário nas atividades de trabalho. “O trabalhador noturno está mais propenso a apresentar maiores níveis e um aumento mais pronunciado de fadiga, pois além do desgaste vindo da realização das tarefas de trabalho, este trabalhador também está com sua fisiologia perturbada por estar trabalhando num horário não natural, imposto pelo turno noturno", informa. Por sua vez, o aumento da sonolência durante o trabalho somente para os trabalhadores noturnos também indica a existência dessa perturbação, que não ocorre entre os trabalhadores do turno diurno.

A bióloga fez menção também ao trabalho da mulher com ou sem filhos e que exerce atividade noturna. “Devido aos diferentes papéis sociais, a mulher muitas vezes tem estratégias de sono diferentes da dos homens. Por exemplo, as mulheres que possuem filhos tendem a adotar um padrão de sono diurno mais fragmentado que o de homens e mulheres sem filhos”, destacou. Para que haja continuidade nas pesquisas, especialmente no que se refere à obtenção de mais amostras, a pesquisadora coloca a necessidade de estabelecer parcerias com outras instituições e com organizações de trabalhadores.

O idoso no mercado de trabalho

Para os pesquisadores, Dalton Tria Cusciano e Mauro Maia Laruccia que falaram sobre o idoso no mercado de trabalho, há uma previsão de que para o ano de 2040, o Brasil fará parte da 6ª. maior população idosa do mundo. Com esses dados e preocupados com a forma de assegurar os direitos dos idosos, Cusciano e Laruccia realizaram pesquisa onde analisaram 13 anos da legislação federal, incluindo os projetos de lei. Somente entre 2005 e 2015, o número de idosos no Brasil aumentou em 10 milhões.

No mercado de trabalho já são 55 mil. Com a discussão sobre a reforma da Previdência, os palestrantes destacam que esse aumento no número terá reflexos nos cofres públicos, mas também no aspecto emocional e na saúde desses idosos. “O idoso sofre preconceito no mercado de trabalho”, pontua Dalton. Cusciano destaca ainda o Plano de Madri, adotado pelo Brasil durante a realização da I Assembléia Mundial do Envelhecimento, reunião promovida pela ONU, em 2002 em Madri, mas que na prática o País não o segue. “Toda a legislação foi arquivada e o Estado promete, mas não concretiza”, diz.

Leia sobre o Plano de Ação para o Enfrentamento da Violência contra Pessoa Idosa. Participaram da Roda de Conversa Fundacentro, por meio de videoconferência, as Unidades Regionais do Distrito Federal, Santa Catarina, Pará e Bahia. A Quinta Roda de Conversa Fundacentro foi realizada na manhã de hoje, de 20 de setembro. Leia mais sobre a Roda de Conversa Fundacentro realizadas anteriormente. Roda de conversa Fundacentro permite a discussão de ações desenvolvidas Ações desenvolvidas pela área técnica da Fundacentro são apresentadas na Roda de Conversa Ações dos pesquisadores e técnicos da Fundacentro são apontadas na 3ª Roda de Conversa