Notícia

A Folha (São Carlos, SP)

Pesquisadores e gestores da produção científica nacional reúnem-se em Fórum

Publicado em 16 setembro 2012

O panorama e a preocupação pelo desenvolvimento científico e tecnológico faz pesquisadores e gestores da produção científica nacional reunirem-se em sete encontros preparatórios para o VI Fórum Mundial da Ciência que será realizado, em novembro de 2013, no Rio de Janeiro (RJ). A primeira reunião ocorreu de 29 a 31 de agosto na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) em São Paulo (SP). Durante os encontros são discutidos temas relacionados à Educação em ciência, Difusão e acesso ao conhecimento e interesse social, Ética na ciência e Ciência para o desenvolvimento sustentável e incluso. Conforme a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, “pretendemos agrupar todas as exposições em uma publicação e apresentar propostas para um projeto de estado. Um dos problemas enfrentados no país é que muitas vezes as informações não chegam para a comunidade científica e toda população”, analisa.

Para o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis, “são eventos como o Fórum Mundial de Ciência que contribuem para a difusão científica que é tão necessária junto à sociedade. Discutir temas e esclarecer onde o Brasil se situa é um grande desafio, mas irá colocar seu protagonismo na ciência mundial de forma mais notória”.

A discussão em torno da situação educacional no Brasil é preocupante e, conforme Helena, “não existe a melhor ciência, básica ou aplicada. Há a boa ciência e é isso que o Brasil precisa fazer. Temos uma dispersão muito grande, estamos em uma posição ruim na educação em relação aos outros países. É preciso melhorar todos os níveis de ensino e a sociedade deve discutir este cenário”. De acordo com o coordenador da Agência USP de Inovação, Vanderlei Bagnato, “é preciso fazer ciência para produzir cidadania, ter cidadãos sem ignorância científica, resolver os problemas da nação, alavancar a economia brasileira e ensinar ciência para que haja profissionais que sejam úteis à sociedade”. Na mesma direção o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, afirma que “a ciência existe para aumentar a competitividade da indústria, aumentar a riqueza, mas principalmente para contribuir com a humanidade”. De acordo com o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, a ciência brasileira está em constante crescimento mas há muitos desafios. “Indicadores mostram que há um aprofundamento constante nos últimos quinze anos do déficit em nossas balanças comerciais nas áreas de alta e média alta tecnologia e temos ainda um número insignificante de doutores que vão para a indústria”.

“O pesquisador brasileiro está abaixo da média mundial e temos uma posição em patentes por milhão de habitantes que é muito pior do que a nossa situação econômica e de produção científica”, observa Oliva. Entretanto para o presidente, esta realidade pode ser modificada através de um novo olhar para a ciência. “O Brasil pode fazê-Ia não apenas para produzir conhecimento que seja aproveitado pela empresa, mas para tornar possível a formação de pessoas que trabalhem na indústria. O mote que a ciência do país vai precisar para os próximos dez anos é ter doutor na indústria, pois é nela que conseguiremos fazer inovação”.

Divulgação da Ciência

Para que o conhecimento produzido na academia seja alcançado por toda sociedade e esta possa acompanhar participar das decisões estratégicas tomadas para o desenvolvimento do país, é preciso que haja aproximação entre os ambientes científico e não científico. O pró-reitor de graduação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Marcelo Knobel, diz que a divulgação científica é a parte fundamental da ciência e no Brasil é outro grande desafio. “Faltam recursos para a ciência e faltam ainda mais para sua divulgação. É necessário fazer estudos, ter mais mercado para livros, revistas e para todo tipo de ação e pesquisa nesta área, pois estamos muito atrás do que poderíamos estar”. 

“A divulgação da ciência precisa ter uma dinâmica maior, está em expansão, mas ainda é incipiente comparada ao exterior. É importante ter uma formação de recursos humanos especializada, que tenha treinamento e saiba como a ciência funciona. Temos pouquíssimas iniciativas e esta realidade precisa ser melhorada e aprimorada”, complementa Knobel.

O próximo encontro preparatório deve ser realizado nos dias 29 e 30 de outubro em Belo Horizonte (MG), no mês de novembro em Manaus (AM) e dezembro na cidade de Salvador (BA). Em 2013 os encontros ocorrerão em Recife (PE), Porto Alegre (RS) e Brasília (DF).

Fórum Mundial da Ciência 2013

Pela primeira vez a ser realizado no Brasil, o evento terá como tema a Ciência para o Desenvolvimento Global e reunirá renomados pesquisadores nacionais e internacionais que discutirão o desenvolvimento científico e a aproximação entre a comunidade científica e a sociedade. Na ocasião será lançada a publicação com as proposições das discussões ocorridas nos encontros preparatórios. O fórum criado em 2003 e realizado, a cada dois anos, em Budapeste na Hungria terá a primeira edição em outro país.

O Brasil foi escolhido por iniciar reuniões, em 2009, entre instituições científicas e tecnológicas do país e governos da América Latina e Caribe para a elaboração de uma estratégia regional para a Ciência, Tecnologia e Inovação para as próximas décadas.

O evento é organizado pela Academia Húngara de Ciências (HAS) com parceria da United Nations Educational, Scientificand Cultural Organization (Unesco), o lnternational Council for Science (lCSU), a Academy of Sciences for the Developing World (TWAS), a European Academies Science Advisory Council (EASAC) e a American Association for the Advancement of Science (AAAS).

A comissão executiva nacional, responsável pela participação do governo brasileiro na preparação, programação, coordenação institucional e aspectos logísticos, além das atividades paralelas ao fórum é formada por representantes de doze entidades: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Academia Brasileira de Ciências (ABC), Sociedade para o Progresso da Ciência (SBPC), Ministério das Relações Exteriores (MRE), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (MEC/CAPES), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Centro de Gestão de Estudos Estratégicos(CGEE), Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDlFES ), Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência e Tecnologia e Inovação (CONSECTI), Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Ampara à Pesquisa (CONFAP) e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO no Brasil).