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Pesquisadores do Rio desenvolvem sabonete que pode proteger contra dengue

Publicado em 08 maio 2008

Pesquisadores do Laboratório de Ciências Químicas da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) desenvolveram um sabonete que age como repelente contra o mosquito Aedes aegypti.

O produto, cujo efeito pode durar até seis horas, foi criado a partir de uma mistura de glicerina, obtida em óleo de cozinha reciclado, com essências naturais de plantas como cravo-da-índia, citronela e capim-limão, essas duas últimas nativas do Brasil. A fórmula conta ainda com outras substâncias químicas, que ajudam a aumentar o tempo de ação do produto.

Segundo o coordenador da pesquisa, Edmílson José Maria, afirmou à Agência Fapesp, os testes serão ampliados para apurar se o sabonete tem ação também contra outros vetores.

O processo de obtenção de patente do produto junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) teve início, assim como o pedido de aprovação da formulação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com José Maria, a eficácia do sabonete foi comprovada em testes com cobaias e humanos. Primeiramente, o sabonete foi usado em camundongos. Nos testes em humanos, o produto foi aplicado na mão e no antebraço de voluntários da universidade. Em seguida, os voluntários tiveram os braços inseridos em gaiolas cheias de mosquitos Aedes aegypti que não continham o vírus da dengue.

A contraprova foi feita com a mesma base do sabonete sem as substâncias repelentes e houve alto número de pousos dos mosquitos na pele dos voluntários.

Produto acessível

José Maria explica que a criação de um repelente em forma de sabão surgiu da idéia de disponibilizar um produto economicamente acessível à população carente das grandes cidades que não têm acesso a ferramentas mais sofisticadas de combate à dengue. O preço do produto ainda não foi definido.

A intenção, em um primeiro momento, é disponibilizar o produto a órgãos públicos ligados à saúde do Rio de Janeiro. Para isso, a equipe da Uenf está atualmente trabalhando, com financiamento da própria universidade, na produção de um lote de mil unidades do sabonete para enviá-lo aos poderes público municipal e estadual, que deverá repassar o produto à sociedade. A previsão é que até o fim deste mês o lote esteja pronto.

Campos dos Goytacazes, que abriga o campus da Uenf, é a terceira cidade do Estado do Rio de Janeiro em número de casos de dengue registrados em 2008, ficando atrás apenas da capital fluminense e de Nova Iguaçu. De janeiro a abril deste ano, houve aproximadamente 6 mil casos da doença na cidade, com 16 mortes registradas, segundo o pesquisador.

Com informações da Agência Fapesp