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Pesquisadores do Inpe desvendam por que os raios se ramificam e piscam

Publicado em 13 dezembro 2020

Pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em parceria com colegas dos Estados Unidos, da Inglaterra e da África do Sul, registraram pela 1ª vez a ramificação e a formação de estruturas luminosas por raios.

Ao analisar as imagens capturadas em câmera lenta –super slow motion– , eles conseguiram desvendar por que os raios se bifurcam e algumas vezes, na sequência, formam estruturas luminosas interpretadas pelos olhos humanos como objetos piscantes.

Os resultados do estudo, apoiado pela Fapesp, foram publicados na revista Scientific Reports (íntegra, em inglês).

“Conseguimos fazer a 1ª observação óptica desses fenômenos e, com isso, encontrar uma possível explicação sobre por que os raios se bifurcam e piscam”, diz à agência Fapesp Marcelo Magalhães Fares Saba, pesquisador do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica) do Inpe e coordenador do projeto.

Os pesquisadores registraram por meio de câmeras digitais de vídeo de alta velocidade mais de 200 raios ascendentes –que partem de estruturas altas na superfície e se propagam em direção às nuvens– durante tempestades de verão em São Paulo e em Dakota do Sul, nos Estados Unidos, de 2008 a 2019.

Os raios ascendentes foram disparados por outras descargas elétricas, seguindo o padrão de formação desse tipo de raio menos comum que os descendentes –que descem das nuvens e tocam o solo– descrito pelo mesmo grupo de pesquisadores do Inpe em um estudo anterior ().

“Os raios ascendentes são iniciados a partir da ponta de uma torre ou para-raios de um edifício alto, por exemplo, em consequência da perturbação do campo elétrico da tempestade causada por um raio descendente que ocorra a uma distância de até 60 km/h”, explica Saba.

Embora as condições de observação tenham sido muito semelhantes, foram observadas formações de estruturas luminosas em apenas 3 raios ascendentes, registrados nos Estados Unidos. Esses 3 raios ascendentes eram formados por uma descarga líder positiva, que se propaga em direção à base da nuvem.

“A vantagem de registrar imagens desses raios para cima é que é possível visualizar toda a trajetória dos líderes positivos, desde o solo até a base da nuvem. Uma vez dentro da nuvem, já não é possível observar a descarga”, diz o pesquisador.

Os pesquisadores constataram que, na extremidade da descarga líder positiva, existia outra descarga mais tênue com uma estrutura parecida com a de um pincel.

“Observamos que essa descarga, chamada de pincel corona, pode se bifurcar e definir a trajetória do raio e a sua ramificação”, afirmou Saba.

Quando a ramificação é bem-sucedida, o raio pode seguir à direita ou à esquerda. Quando a ramificação não é bem-sucedida, a descarga corona pode dar origem a segmentos de comprimento muito curto e tão brilhantes quanto o raio.

Esses segmentos aparecem pela 1ª vez alguns milissegundos após a divisão do pincel corona e pulsam conforme o raio se propaga em direção às nuvens, revelaram as imagens.

“As piscadas são repetidas tentativas de inicialização de uma ramificação que falhou”, diz Saba.

De acordo com o pesquisador, essas “piscadas” podem explicar por que os raios costumam apresentar várias descargas. Mas essa teoria ainda precisa ser comprovada.

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.