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Agência USP de Notícias

Pesquisadores do Genoma são homenageados na USP

Publicado em 27 março 2000

Os pesquisadores da USP envolvidos no Projeto Genoma da Xylella fastidiosa serão homenageados com um troféu na próxima reunião do Conselho Universitário, que acontece na próxima terça-feira, dia 28, às 10 horas. Os troféus serão entregues aos professores Fernando de Castro Reinach, do Instituto de Química, e Luís Eduardo Aranha Camargo, Escola Superior Agrária Luiz de Queiroz (Esalq), que estarão representando todos os demais participantes do projeto. Foi da equipe de Reinach que surgiu a idéia de fazer o seqüenciamento genético de um microorganismo, em maio de 1997, iniciando o Projeto Genoma. A equipe de Camargo concluiu o projeto, finalizando o seqüenciamento do último fragmento (read - parte da biblioteca de clones) que faltava no Genoma. Os demais pesquisadores receberão o troféu em suas respectivas unidades. O seqüenciamento genético da bactéria Xylella fastidiosa, causadora da praga do amarelinho nos laranjais de São Paulo, representa uma grande vitória para todos eles: além de ser o primeiro Projeto Genoma concluído no país, é também a primeira vez que cientistas conseguem mapear todos os genes de um organismo causador de doenças em plantas. "A conclusão do projeto significa que podemos ser os primeiros do mundo em alguma área", declara o Reinach. "E isso teve um papel fundamental na auto-estima de todos os participantes, especialmente dos mais jovens". A maior conquista do Projeto Genoma, na opinião dos homenageados, foi a sua conclusão, mas eles ressaltam que houve outros benefícios fundamentais para a USP, como a montagem de uma rede de bioinformática na Universidade - o que garante maior eficiência na troca de informações entre os laboratórios -, a estratégia de seqüenciamento corretamente aplicada pelo laboratório central, e a força de vontade dos laboratórios seqüenciadores, que partiram de um nível de pouco conhecimento sobre genômica e superaram suas limitações. "A conclusão do projeto permitiu aos laboratórios ter acesso aos domínios da genômica", afirma Camargo. "De outra forma, isso teria sido muito lento ou talvez até impossível". Na opinião do professor, o projeto não contaria com o número suficiente de laboratórios se não houvesse a participação da USP, que ele considera ter "contribuído para o fornecimento de massa crítica". Segundo Reinach, durante o Projeto Genoma, o desenvolvimento da tecnologia de seqüenciamento genético ajudou a melhorar a capacitação tecnológica dos laboratórios da Universidade. Ele destaca que houve "um enorme salto tecnológico" dos laboratórios envolvidos no projeto, que agora dominam a tecnologia do seqüenciamento genômico. "Toda tecnologia envolvida é muito complicada e envolve a equipe como um todo", diz. "Assim, a interação entre os laboratórios foi aprimorada durante o projeto, o que nos favorece na realização de outros projetos, como o do Xanthomonas (outra bactéria causadora de doença que ataca os laranjais)". Reinach se anima com a participação de muitos professores jovens e de alunos. "A idade média dos participantes do projeto é mais baixa do que a idade média dos professores da USP", diz. "Houve um envolvimento muito grande dos alunos, que percebem que estão fazendo uma pesquisa de primeiro mundo". O trabalho sobre a pesquisa do Projeto Genoma deve ser publicado em breve, e o professor Reinach garante que ele reserva mais descobertas do que o esperado. "Na hora em que o trabalho sair, vocês vão levar um susto", garante. Mais informações: (0XX11) 818-2155 e 818-3313, com o Prof. Fernando de Castro Reinach; (0XX19) 429-4124 e 429-4267, com o Prof. Luís Eduardo Aranha Camargo.