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Pesquisadores discutem rumos do Programa LBA-2

Publicado em 27 outubro 2006

Por Luís Mansuêto, da assessoria de comunicação do Inpa

O 2º Workshop Agenda LBA-2 realiza-se nesta segunda e terça-feira, de 8 às 18h, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus

Na oportunidade, estarão reunidos mais de 30 gestores de diversas instituições do Amapá, Pará, Tocantins, SP, Mato Grosso, Brasília, entre outros, para debaterem os rumos do programa de Larga Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA/Inpa) para os próximos três anos.
Contudo, a expectativa é de que se estabeleça um prazo de 20 anos.
O objetivo do workshop é permitir que pesquisadores e gestores de instituições de ensino e pesquisa forneçam subsídios para a elaboração da agenda científica do LBA-2 por meio de identificação de demandas, temas e locais que devam ser estudados.
Vale ressaltar, que será dado ênfase à expansão da rede, além dos centros de pesquisa já consolidados.
Nesta segunda etapa, a discussão será em parceria com as instituições e Universidades amazônicas, que terão um espaço para breves apresentações das atividades relacionadas aos temas do evento.
Durante a abertura, o diretor do Inpa, Adalberto Val, falará sobre o papel do Instituto no Programa LBA. Logo após, o pesquisador Flávio Luizão fará uma apresentação geral sobre o programa.
Em seguida, o gerente executivo do LBA, Antônio Manzi, abordará a infra-estrutura, e a pesquisadora Regina Luizão falará sobre o programa de treinamento e educação.
Entre os assuntos que serão abordados estão:
"Cenários e Sustentabilidade para a Amazônia", cujo o moderador é o pesquisador Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); "Mudanças de Uso da Terra e Planejamento Territorial", que terá como moderador Mateus Batistella, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (SP), e "Seca e Fogo na Amazônia", "Mudanças no Uso da Terra e Impactos Sobre os Ecossistemas Aquáticos" e "Interações entre Ecossistemas Terrestres e Atmosfera", que terá como moderador Paulo Artaxo, da USP.
Hoje, depois de nove anos de pesquisas, um dos desafios científicos do LBA-2 é aumentar a participação de outros países da Bacia Amazônica, fazer com que as informações desta nova fase sejam levadas em conta nas suas políticas públicas, em especial quanto ao ordenamento territorial da Amazônia e à adoção de práticas ambientais adequadas ao desenvolvimento da região.
Com isso, a meta é fazer com que o desenvolvimento regional aconteça, paralelamente, à manutenção da floresta. Desta forma, será possível melhorar as condições de vida, a dignidade humana e o resgate da cidadania de milhões de brasileiros.

O que é o LBA
É uma das maiores experiências científicas do mundo na área ambiental.
Ele é composto por um volumoso programa de estudos, liderado pelo Brasil e coordenado cientificamente pelo Inpa, com cooperação científica internacional, somando mais de 130 propostas diferentes de pesquisa, já executadas ou em execução.
Essas pesquisas colocaram ao dispor das comunidades amazônicas, tanto nas esferas de governo federal quanto municipal, e dos cientistas do mundo todo, um enorme acervo de conhecimentos inéditos sobre a Amazônia.
Nunca antes tantas novas informações sobre essa região do Planeta foram coletadas e sistematizadas num só programa de estudos.
As atividades científicas se iniciaram em 1998 por meio de acordos internacionais com a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa), National Science Foundation (EUA), Comissão Européia, Instituto Interamericano de Pesquisas sobre Mudanças Globais (IAI), além de organismos de países da Bacia Amazônica (Venezuela, Peru, Bolívia, Colômbia e Equador).
Do lado brasileiro, o programa é financiado pelo Ministério da C&T (MCT), CNPq, Fundação de Amparo à Pesquisa de SP (Fapesp), e Finep.

Benefícios gerados pelo LBA
As pesquisas desenvolvidas pelo programa comprovaram que os desflorestamentos e as queimadas aceleram o efeito estufa, reduzem a radiação solar para a fotossíntese das plantas em até 60%. Além disso, devido à fumaça, alteram o mecanismo de formação das nuvens e podem diminuir as chuvas na Amazônia e em outras partes do País ou mesmo do continente.
Também foi constato que grandes concentrações de aerossóis das queimadas (e especialmente do carvão negro) na atmosfera, alteram os mecanismos de formação de nuvens na Amazônia, produzindo "nuvens frias", que se desenvolvem em profundidade, formam gelo e descargas elétricas e podem não produzir chuvas na região onde são formadas.
Os trabalhos realizados também comprovaram que há evidências de uma forte relação entre a formação de nuvens na Amazônia e a ocorrência e distribuição de chuvas no sudeste e sul do Brasil.
O que ocorre por meio dos mecanismos de jatos de baixos níveis na atmosfera, com implicações no caso dos continuados e extensivos desmatamentos na região.
Segundo as pesquisas, a comprovação de que os impactos das mudanças do uso da terra e da cobertura vegetal (substituição da floresta por pastagens, cultivos agrícolas e, ainda mais claramente, pela urbanização) sobre os cursos d'água podem ser detectados mesmo em rios de porte médio (como no Ji-Paraná, em Roraima) e que sinais de alterações podem ser encontrados mesmo em grandes rios da Amazônia.

Programação:
Dia 30 de outubro
Abertura
8:30h - O papel do Inpa no LBA — 20 min (Adalberto Val)
8:50h - Apresentação geral do Programa LBA — 20 min (Flávio Luizão)
9:10h - Infra-estrutura LBA — 20 min (Antonio Manzi)
9:20h - Treinamento e Educação — 10 min (Regina Luizão)
9:30h - Projeto Geoma — 15 min (Peter Mann de Toledo)
9:45h - Projeto PPBio - 15 min (Bill Magnusson)
Discussão da Agenda Científica (Introdução ao tema feita pelos moderadores — 10 min)
10:20h - Bloco 1:
Tema: "Cenários e Sustentabilidade para a Amazônia"
Moderador: Carlos Nobre
14:30 - Bloco 2:
Tema: "Mudanças de uso da terra e planejamento territorial"
Moderador: Mateus Batistella
Dia 31 de outubro
9h - Bloco 3:
Temas: "Seca e fogo na Amazônia", "Mudanças no uso da terra e impactos sobre os ecossistemas aquáticos" e "Interações entre ecossistemas terrestres e atmosfera".
Moderador: Paulo Artaxo
Obs.: Espaço aberto para as Universidades/instituições apresentarem as atividades desenvolvidas em cada tema — 5 min (se avisado com antecedência)
14h — Sessão Final
Discussão e apresentação do produto final feita pelos moderadores dos grupos e o chair do SSC.
16:30h — Discussão Programa Integrado da Amazônia Sustentável