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Pesquisadores desenvolvem ventilador pulmonar de baixo custo

Publicado em 05 maio 2020

Por André Julião* | Agência FAPESP

Um grupo de pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) desenvolveu um ventilador pulmonar cerca de 15 vezes mais barato do que os tradicionais

O aparelho, que recebeu o nome Inspire, tem licença aberta de fabricação, ou seja, pode ser produzido sem pagamento de royalties para os inventores. Entretanto, a distribuição da tecnologia é controlada, por se tratar de equipamento de suporte à vida.

O lote piloto, para atender estudos clínicos, será montado pela Marinha do Brasil. Vinte empresas estão interessadas em fabricar o equipamento, que já passou por testes com animais e humanos. Ventiladores pulmonares são essenciais no tratamento de pacientes com síndrome respiratória aguda, um dos desdobramentos mais graves da COVID-19.

“É um aparelho de emergência, para ser usado na falta de ventiladores de UTI [unidade de terapia intensiva], que são mais monitorados. Mas ele tem as funcionalidades de que um paciente grave precisa e a vantagem de não depender de uma linha de ar comprimido, como os outros, apenas de uma tomada de energia elétrica e da linha de oxigênio [O2] do hospital, ou mesmo de O2 engarrafado”, explica Raul Gonzalez Lima, professor da Poli-USP e coordenador do projeto.

Lima trabalha há cerca de 20 anos, com apoio da FAPESP, no desenvolvimento de tecnologias de tomografia por impedância elétrica, que possibilitam monitorar e otimizar a ventilação artificial em pacientes em tratamento intensivo. Com o monitoramento, busca-se minimizar os efeitos colaterais e diminuir o tempo de dependência da ventilação mecânica.

Do seu grupo saíram alguns dos pesquisadores que criaram a empresa Timpel, que fornece tomógrafos para hospitais do Brasil e do exterior e que teve apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP.

O Inspire segue um modelo livre de patente e requer insumos de fácil acesso no Brasil. Cada ventilador pode ser fabricado em até duas horas, a um custo de R$ 1 mil, enquanto os ventiladores convencionais custam em média R$ 15 mil. Colabora ainda no projeto Marcelo Knorich Zuffo, professor da EP-USP.