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Pesquisadores desenvolvem modelo climático brasileiro

Publicado em 19 fevereiro 2013

Por Janaína Lepri

Para prever o tempo com mais precisão e saber quais serão as alterações no clima nas próximas décadas, pesquisadores do INPE desenvolveram o que chamam de primeiro modelo climático brasileiro.

Sabe aquelas perguntas do tipo: o clima no Brasil vai mudar nos próximos anos ou o que aconteceria se a Amazônia desaparecesse? As respostas não são simples de dar e, para chegar até elas, os cientistas contam com a ajuda de modelos climáticos.

Esses modelos são um conjunto de equações matemáticas formuladas a partir de diversos estudos sobre florestas, oceanos, atmosfera e tudo que afeta o clima.  Os números são colocados em supercomputadores que geram previsões.

“Os modelos climáticos são capazes de prever fenômenos atmosféricos, chuva, secas, inundações em várias escalas de tempo”, afirma o meteorologista do INPE e professor Paulo Nobre. O problema é que, até hoje, não existia um modelo criado no Hemisfério Sul.

Informações importantes de países tropicais, como o Brasil, não eram consideradas como deveriam. A influência da Amazônia no clima, por exemplo, estava subestimada, e isso aumentava a chance de erro nas previsões.

Agora, o Brasil já tem um modelo climático para "chamar de seu". A novidade vai deixar a previsão do tempo por aqui mais precisa, o que pode evitar tragédias como a da região serrana do Rio de Janeiro.

“Os modelos que existem são todos construídos em países de latitudes temperadas. O tipo de fenômeno que afeta aquele país é diverso daqueles que afetam o Brasil”, diz Nobre. O modelo está rodando em um supercomputador que fica em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, e já fez algumas simulações.

Imagine, por exemplo, se o desmatamento ficasse sem freio e toda a floresta amazônica sumisse. Os modelos mais antigos previam que as chuvas diminuiriam em 20% na região, mas o modelo do Brasil diz que seria o dobro.

Isso mudaria o ciclo da água no continente inteiro. Afetaria plantações, o funcionamento de hidrelétricas e prejudicaria a vida de todos nós. “Quando nós melhoramos o conhecimento entre a floresta amazônica e o Oceano Atlântico, nós conseguimos que os demais modelos do planeta também se melhorem e melhorem a previsão global de todas as partes”, diz o meteorologista.

São Paulo, SP