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Pesquisadores desenvolvem coração artificial implantável

Publicado em 26 agosto 2013

SÃO PAULO - Segundo a agência Fapesp, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia desenvolveram o primeiro protótipo brasileiro de coração artificial totalmente implantável. O dispositivo é indicado para pacientes com insuficiência cardíaca, problema que afeta cerca de 6,5 milhões de pessoas no país e mata em torno de 25 mil todos os anos - segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

O objetivo do equipamento, que ainda não foi testado em humanos, não é substituir o coração e sim auxiliá-lo no bombeamento de sangue enquanto o paciente aguarda um órgão para transplante. Os primeiros experimentos realizados com bezerros apresentaram bons resultados.

"Em países desenvolvidos já existem modelos de coração artificial totalmente implantáveis, mas o custo de importação é elevado - mais de R$ 200 mil - e poucos têm acesso. Nossa ideia é desenvolver uma versão nacional que custe em torno de R$ 10 mil", contou José Roberto Cardoso, diretor da Escola Politécnica (Poli) da USP e coordenador da pesquisa financiada pela Fapesp.

Segundo Cardoso, há outros modelos de coração artificial desenvolvidos no Brasil, no Instituto do Coração (Incor) da USP e até mesmo no próprio Dante Pazzanese. Mas são todos equipamentos extracorpóreos. Nesses casos, tubos saem do corpo do paciente e ficam ligados a uma maleta, onde está a bomba e a bateria.

"O paciente precisa carregar essa maleta para todo lado e o equipamento fica em contato com o ambiente. O grande problema é o risco de infecção", disse Cardoso.

Diferente da maioria dos modelos, que usa bombas do tipo axial, o protótipo brasileiro utiliza uma bomba radial com uma rotação mais baixa, pois a agressão ao sangue durante o bombeamento é menor.

O novo protótipo implantável começou a ser desenvolvido em 2006. A bomba foi feita no Departamento de Engenharia Mecatrônica da Poli e os motores elétricos e circuitos que controlam seu funcionamento foram criados no Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado, coordenado por Cardoso. A parte médica e os ensaios com animais ficaram sob a responsabilidade da equipe do Dante Pazzanese, instituto vinculado à Secretaria de Estado da Saúde.

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