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Pesquisadores descobrem mil novas espécies de insetos

Publicado em 06 janeiro 2010

Estudo realizado por pesquisadores de três instituições (Unesp de Jaboticabal, Museu de Zoologia da USP e Universidade Federal do ABC) pode revelar até mil novas espécies de insetos. Dessas, 50 são totalmente novas (não identificadas e nem descritas). Uma delas, de um gênero ainda desconhecido, surpreendeu também o pesquisador australiano Daniel Bickel, um dos colaboradores do projeto, pela beleza. Há mais de cinco anos pesquisando a flora brasileira, agora os cientistas querem saber a região exata de cada exemplar.

A coleta de insetos e moscas se estendeu do Estado de Santa Catarina até a Paraíba, passando pelo interior paulista, sul de Goiás, oeste de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Coordenado pelo professor Dalton de Souza Amorim, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, o trabalho Limites geográficos e fatores causais de endemismo na Floresta Atlântica em Diptera (Insecta) é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Amorim informa que é possível encontrar até cinco vezes mais espécies novas porque o levantamento ainda é parcial e foram utilizados poucos métodos de coleta. Boa parte do material veio do Projeto Biota, da Fapesp, nas coletas ao longo da Serra do Mar. No interior de São Paulo, as coletas foram realizadas nas regiões de Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema, Assis, Ribeirão Preto, Sertãozinho, Batatais e Matão. No sul de Minas Gerais em Cabo Verde, Bandeiras e Delfinópolis.

Ecossistema

Os pesquisadores constataram diferenças de até 100% em determinadas espécies entre aquelas encontradas no litoral e as que vivem no interior. "As localizadas na Serra do Mar não são as mesmas que encontramos no interior e vice-versa", destaca Amorim. Por isso, alerta que os programas de proteção das áreas de florestas não devem ser os mesmos. "As espécies que estão nas florestas do interior - as mais secas - estão extremamente ameaçadas em função, principalmente, da cultura da cana-de-açúcar, da soja e da laranja. A monocultura praticamente dizimou essas florestas, existindo poucas áreas protegidas nas regiões em que vivem essas espécies".

Amorim acrescenta que a preservação deve levar em consideração toda a biodiversidade. "Ainda não conhecemos a importância ecológica desses insetos, precisaremos de estudos mais detalhados. Contudo, eles fazem parte de um ecossistema". Outra preocupação do estudo é identificar as faunas por região. "Saber a distribuição dessas faunas vai apontar em qual local as reservas biológicas devem ser colocadas. O mais urgente é a criação de reservas de florestas no interior", salienta.

Da Agência Imprensa Oficial e da USP