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Pesquisadores descobrem mecanismo celular que desencadeia síndrome rara

Publicado em 22 maio 2017

Os mecanismos celulares e de expressão gênica que levam à má-formação da mandíbula, traço mais característico da síndrome de Richieri-Costa Pereira, acabam de ser esclarecidos. Pesquisadores do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) e da Duke University, nos Estados Unidos, descobriram que nos casos da síndrome ocorrem problemas no processo de migração e diferenciação celular durante a formação do crânio e face, processos que ocorrem no primeiro trimestre de gestação humana.

A síndrome de Richieri-Costa Pereira é uma doença autossômica recessiva descrita pela primeira vez em 1992 pelo professor Antonio Richieri-Costa e equipe do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru. Atualmente há mais de 20 pacientes conhecidos com a doença no Brasil (e um no exterior), mas o estudo da doença pode dar pistas importantes sobre a formação craniofacial durante o desenvolvimento fetal e até mesmo para a bioengenharia.

Os pesquisadores do CEGH-CEL – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado na USP – já haviam descoberto, em 2014, que mutações no gene EIF4A3 estão relacionadas a anomalias decorrentes da síndrome. Um artigo recém-publicado na Human Molecular Genetics descreve os mecanismos celulares que desencadeiam a má-formação ao reconstituir as etapas do desenvolvimento craniofacial.

A formação da cabeça é um processo complexo, com várias etapas e processos envolvidos. Para que ela ocorra é preciso haver proliferação, migração celular e também a morte celular programada, chamada de apoptose. Os pesquisadores observaram que pacientes com a síndrome apresentam problema de migração celular durante o processo de formação craniofacial.

“Se houver problema de migração, haverá menos células povoando os tecidos que serão formados – por exemplo, a mandíbula e outros componentes do complexo craniofacial. Achamos que a quantidade reduzida de células devido à migração defeituosa resultaria em menos células para gerar esses tecidos”, disse Gerson Kobayashi, um dos autores do estudo cuja tese de doutorado foi a respeito do tema.

A reconstituição in vitro das etapas do desenvolvimento craniofacial foi feita a partir de células somáticas – células-tronco da polpa do dente ou fibroblasto ou ainda células do sangue – retiradas de pacientes com a síndrome de Richieri-Costa Pereira.

Essas células foram então reprogramadas para virar células pluripotentes, parecidas com células-tronco embrionárias. Isso permitiu criar células de crista neural (responsáveis por formar a maior parte dos ossos e cartilagens do complexo craniofacial) e células que depois de atingir um alto grau de diferenciação viram mesenquimais (células com plasticidade elevada que podem originar vários tecidos).

“Com as células de crista neural, conseguimos observar esses três processos e identificar se algum deles está comprometido nos pacientes. Com a proliferação e apoptose estava tudo bem, mas na migração não. O importante é que a célula de crista neural ao chegar a uma determinada região vai se diferenciar. Testamos a diferenciação para cartilagem e tecido ósseo e confirmamos que os dois processos estão comprometidos”, disse a professora Maria Rita Passos-Bueno, coordenadora do Laboratório de Diagnóstico Molecular de Doenças do CEGH-CEL.

Da Agência Fapesp de notícias

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