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Gazeta de Limeira

Pesquisadores descobrem a arma contra o cancro-cítrico

Publicado em 11 junho 2005

As quatro pragas mais prejudiciais à citricultura, como o amarelinho, morte súbita, greening e cancro-cítrico são alvo de pesquisas em todo o mundo. A busca é pela sintetização das doenças causadas pelas pragas. O cancro-cítrico vinha sendo estudado há sete anos pelos brasileiros. A chave para combater a doença foi encontrada. Nos Estados Unidos e Europa, cientistas tentam há décadas devendar os segredos do cancro, mas os brasileiros chegaram na frente.
Os responsáveis pela descoberta são da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (Usp) situada em Piracicaba, em conjunto com Walter Leal, professor do Departamento Entomológico da Universidade da Califórnia. Os primeiros esclarecimentos da pesquisa foram feitos ontem no encerramento da 27ª Semana da Citricultura em Cordeirópolis. A arma contra o cancro-cítrico é o feromônio minador-do-citrus. Os pesquisadores sintetizaram e isolaram o feromônio, que é uma espécie de substância química contida no organismo da mariposa fêmea. Ela é responsável por emitir um odor, chamando o macho para acasalamento. Essa é a chave contra a doença e foi o ponto de partida para o desenvolvimento do trabalho. O minador, (lesão causada pelo inseto na planta), é o alvo dos pesquisadores.
De acordo com Leal, a intenção nesse primeiro momento, é coibir a procriação e diminuir a incidência do inseto no País. O segundo principal objetivo, é capturar os machos e confundi-los irrigando o pomar com a substância já reproduzida em laboratório. "O macho sente o cheiro da fêmea, então vamos soltar o odor, e introduzir nos pomares uma espécie de cola. Ele se confunde e acaba grudado", explicou.
PESQUISA
A escolha por começar a pesquisa decifrando o comportamento dos insetos foi imprescindível. O professor e pesquisador da Esalq Maurício Bento contou que os outros países foram por caminhos diferentes. "Começamos pela biologia do inseto, em seguida o comportamento e os horários de procriação, até chegarmos ao feromônio minador-do-citrus".
O inseto agora é alvo fácil porque descobriu-se que ele só procria à noite. A constatação levou os especialistas a extrairem 5 mil glândulas de fêmeas virgens para reprodução da substância. A expectativa é que o cancro-cítrico seja barrado com a nova tecnologia.
O sucesso total só será possível se a lesão na planta não for aberta pelo inseto. Dessa forma, fica impossível a entrada das bactérias vindas do vento e das chuvas. Esse é o fim do cancro-cítrico "Vamos inserir esse mecanismo do feromônio no mercado, como um produto a ser comprado pelos citricultores", disse José Roberto Parra diretor da Esalq.
Também participaram da pesquisa Ana Lia Pedrazzoli da Esalq, Evaldo Vilela, da Universidade Federal de Viçosa (MG). O projeto teve o apoio do Fundo de Defesa da Citricultura (Fudecitrus), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). (BL)