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Pesquisadores defendem preservação e uso responsável do Pantanal

Publicado em 23 abril 2013

Por Pedro Ulsen

A origem, a evolução e a diversidade do bioma Pantanal foram temas abordados em conferência realizada na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em São Paulo, no dia 18 de abril. Voltado para alunos e professores do ensino médio, alunos de graduação e pesquisadores, o evento integra uma séria de palestras programadas pelo Programa Biota-Fapesp Educação e foi realizado com o objetivo de promover o ensino da biodiversidade para aproximar a produção científica dos públicos envolvidos.

O evento contou com a participação de Arnildo Pott, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), que falou sobre a flora da região. "As espécies botânicas são muito diversas no Pantanal e têm em comum que são sobreviventes a todos os extremos, pois passam por momentos de extremo calor, situações de cheia e seca, e até incêndios originados por raios e pela ação humana", contou.

Walfrido Tomas, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ressaltou que o Pantanal é a área úmida com maior riqueza de espécies de aves do mundo. Segundo Tomas, os fósseis mais antigos das Américas estão nesta região e datam de 550 milhões de anos. "A fauna pantaneira apresenta uma riqueza de fauna, espécies de biomas vizinhos, predominância de espécies do cerrado, mais de cem espécies de aves migratórias, peixes amazônicos e abundância de populações", disse.

Conservação

"O grande desafio hoje é manejar esse bioma sem prejuízo às espécies envolvidas. Por isso, as estratégias para conservação devem passar por uma legislação que considere o Pantanal como uma área de uso restrito, que esteja associada com políticas de remuneração, desoneração, certificação e gestão de propriedades que conservem a paisagem", defendeu Tomas.

De acordo com o pesquisador, o Pantanal sofre atualmente com as atividades econômicas que prejudicam sua conservação, como a pecuária, a pesca e a mineração, além de outras atividades como a agricultura, as indústrias e hidroelétricas que estão afetando a fauna da região de forma direta e indireta.

José Sabino, pesquisador da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp), alerta para algumas ameaças que têm origem nas atividades desenvolvidas nas serras que circundam esse bioma, o que vem gerando inúmeros impactos. Segundo o pesquisador, a construção de pequenas hidrelétricas vem prejudicando o ecossistema e quebrando a conexão das populações que habitam a região. A piracema - migração reprodutiva dos peixes -, por exemplo, está sendo restringida por este sistema, de acordo com Sabino.

"Pra prevenir essas ameaças, as palavras-chave são governança em biodiversidade. E algumas respostas estão sendo construídas pelas nossas pesquisas. O que temos observado é que isso passa pela educação, pela cidadania e pelo acesso aos direitos sociais básicos", argumentou.

Nesse sentido, Sabino defendeu uma "ciência cidadã", que, segundo ele, envolve o engajamento dos públicos envolvidos, a valoração da biodiversidade, a compreensão dos ativos da diversidade e a busca por um novo padrão de consumo.

Sobre o Programa Biota-Fapesp

O Biota-Fapesp é um programa de pesquisa criado em 1999 para aumentar o conhecimento sobre a biodiversidade e criar mecanismos para sua conservação, recuperação e uso sustentável. O Biota-Fapesp Educação, da qual faz parte o ciclo de conferências, é a vertente do programa que busca colaborar na melhoria do ensino da ciência e da biodiversidade. O programa conta com nove conferências sobre os diferentes biomas e aspectos da biodiversidade. O próximo evento vai tratar do bioma Cerrado e será realizada no dia 16 de maio.

Para mais informações acesse http://www.fapesp.br/programas/biota/.

Da Assessoria de Comunicação da Univesp.