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Pesquisadores debatem em Manaus pesquisa em malária

Publicado em 29 outubro 2008

Começou neste domingo (26), no Tropical Hotel Manaus, a 11ª Reunião Nacional de Pesquisa em Malária e a I Reunião Inter-amazônica de Malária, que reúne pesquisadores brasileiros e de outros países, principalmente da região amazônica, para discutir o avanço do conhecimento e da política de controle da malária na Amazônia. O evento segue até o próximo dia 29 de outubro.

As reuniões são coordenadas pelo Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA), Instituto Leônidas e Maria Deane da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Amazônia), a Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMTAM) e a Fundação de Vigilância Sanitária (FVS).

Segundo os organizadores da reunião, a idéia é reunir pesquisadores nacionais e internacionais, professores e estudantes, proporcionando um encontro entre os profissionais brasileiros e estrangeiros que trabalham com malária para permitir o incremento de parcerias institucionais.

“Durante estes quatro dias pretendemos estimular estudantes e profissionais a desenvolverem o interesse pela pesquisa em malária para fortalecer ainda mais o desenvolvimento da ciência e tecnologia no estado do Amazonas. Ao final deste encontro pretendemos elaborar um documento com os dados apresentados e discutidos, sob forma de propostas, que servirá como contribuição ao Ministério da Saúde para as tomadas de decisões e investimentos no País para o combate da malária”, ressaltou o pesquisador Wanderli Pedro Tadei, do Inpa.

Entre os participantes estão pesquisadores, professores e alunos de pós-graduação e graduação ligados a universidades, institutos de pesquisa do Brasil e de outros países, técnicos de órgãos do Ministério da Saúde, da Organização Pan-Americana de Saúde e da Organização Mundial de Saúde, além de técnicos das secretarias estaduais ligados ao Programa de Controle da Malária.

Vacina

As pesquisas sobre vacina serão um dos principais temas das reuniões, cujo debate foi intensificado a pedido da Secretaria de Estado de Saúde (Susam). O assunto será apresentado pelos pesquisadores Sócrates Herrera (Colômbia) e Pedro Alonso (Espanha), que desenvolvem pesquisas sobre vacinas contra a malária. Eles proferem conferências sobre a real situação das pesquisas na área, a fim de trocar experiência que levem a resultados mais promissores no futuro.

“Atualmente as vacinas contra malária têm um grau de imunidade baixa, ou seja, não são tão eficazes. Mas, com a possibilidade de utilização das técnicas moleculares, os horizontes foram ampliados e os pesquisadores estão mais próximos de conseguir uma vacina com um poder de proteção bem mais elevado”, ressaltou Tadei.

Rede de Malária

Segundo o pesquisador da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, Marcus Vinicius Lacerda, um dos pontos altos do evento será a participação das agências de fomentos, entre elas, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) que deu início à criação da Rede Nacional de Pesquisas em Malária ou Rede Malária, em parceria com as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) do Pará (Fapespa), Maranhão (Fapema), Minas Gerais (Fapemig), Mato Grosso (Fapemat), São Paulo (Fapesp) e Rio de Janeiro (Faperj), além do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit).

“O fato de conseguirmos reunir pesquisadores e agências financiadoras é fundamental para que haja investimento em pesquisas. Esta é a primeira vez, no Brasil, em que se fala em implantar uma rede integrada para pesquisas a malária. A partir de agora, os grupos de estudos sobre vetores, vacinas, tratamentos, controle estarão unificados, contribuindo um com o projeto do outro”, ressaltou Marcus Vinicius.

Durante a cerimônia de abertura do evento, realizada no domingo à noite, a diretora técnico-científica da Fapeam, Elisabete Brocki, representando o diretor-presidente da Fapeam, Odenildo Teixeira Sena, oficializou para a comunidade científica a criação da Rede Malária, cujo orçamento pode alcançar R$ 30 milhões para investimentos nas primeiras pesquisas, a partir de convênio com o Ministério da Saúde.

 “Com esta iniciativa, podemos observar entre os pesquisadores uma grande expectativa sobre os recursos, mas, principalmente, sobre a possibilidade de direcionamento de resultados a curto, médio e longo prazo. A oficialização foi feita, agora restam os últimos acertos para que a rede inicie os trabalhos, de fato”, revelou Elisabete.

Ainda em novembro, representantes das FAPs se reúnem para discutir o termo de referência com a participação do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) e Decit. Em dezembro, será realizada uma reunião com os pesquisadores representantes das regiões para a estruturação da rede.

Pré-evento

No domingo, 26, foram realizados mini-cursos e oficinas para que os participantes se conhecessem e tivessem mais oportunidades de trocar informações sobre seus trabalhos. Ao todo, foram mais de 20 palestras, com discussões sobre epidemiologia e controle da malária, vacinas, ecologia e genética de vetores, entre outros.

Agência Fapeam