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Folha de Itapetininga

Pesquisadores de SP integram centro inovador da área de canavicultura no Brasil

Publicado em 19 maio 2020

Por Da Redação

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, por meio do Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC), participará do Centro de Pesquisa em Engenharia Fitossanidade em Cana-de-açúcar (CPE), que será coordenado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e é fruto de uma parceria entre o Grupo São Martinho e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Com investimento de R$ 8 milhões em cinco anos, o CPE tem o objetivo de desenvolver estratégias contra pragas e doenças da cana por meio do controle biológico e comportamental, utilizando fungos, bactérias e feromônios, por exemplo, para proteger as lavouras, possibilitando a redução no uso de defensivos agrícolas.

O espaço deverá atuar ainda na área de biotecnologia e resistência de planta, focando no cruzamento convencional para o melhoramento de cultivares de cana-de-açúcar. Referência no Brasil e no mundo em pesquisas com cana, o IAC atuará em conjunto com a equipe de fitopatologia da Unesp no desenvolvimento de estudos básicos e aplicados para doenças fúngicas que acometem a cultura, como o carvão e a ferrugem alaranjada, além da Sindrome do Murchamento da Cana-de-açúcar (SMC), responsável pela podridão vermelha, e da bactéria causadora da escaldadura das folhas.Sem o manejo cultural adequado, como alocação correta de variedades, nutrição equilibrada e controle de broca e cigarrinhas das raízes, os produtores podem ter grandes prejuízos com essas doenças, de acordo com os pesquisadores do instituto.

Variedades Segundo lvan Antônio dos Anjos, pesquisador do IAC, a ideia é desenvolver pesquisas para obtenção de variedades de cana resistentes e tolerantes ao carvão (S por i sorium| scit amine um, Sydow) e à ferrugem alaranjada (Puccinia kuehn, Butler), além de estudos criteriosos sobre a etiologia e os aspectos epidemiológicos da SMC, supostamente causada pelo fungo Collet o trich um falc atum, Went. “ Também serão abordados estudos específicos para a doença bacteriana escaldadura das folhas, causada pela Xanthomonas| albi line ans, Ashby, que serão conduzidos pela equipe da Universidade Federal de São Carlos[ UFSCar], em conjunto também com a equipe da fitopatologia das demais instituições participantes ”, afirma o pesquisador do Instituto Agronômico. Pesquisa A Fapesp e a São Martinho farão o aporte de R$ 4 milhões cada no Centro de Pesquisa em Engenharia Fitossanidade em Cana-de-açúcar.

À contrapartida econômica da Unesp será oferecida na forma de salários de pesquisadores e profissionais de apoio, infraestrutura e instalações. Para o desenvolvimento dos estudos será utilizada a estrutura da Estação de Hibridação de Cana, em Uruçuca, na Bahia, que tem gestão técnica do Instituto Agronômico, onde serão realizados os cruzamentos, além dos laboratórios de marcadores moleculares, e análises tecnológicas. O programa tem validade de cinco anos, podendo ser prorrogado por mais cinco. O CPE contará com equipe de 31 pesquisadores formada pelo grupo da Unesp Jabuticabal e seus parceiros, como o IAC a Cooperativa Agroindustrial (Coplana), a UFSCar. a Fundação Educacional de Ituverava e a Universidade de Franca. Centro de Cana O Centro de Cana do Instituto Agronômico mantém o Programa Cana IAC, referência nacional e exemplo para os países interessados na viabilização da canavicultura sustentável.

O programa de pesquisa é desenvolvido com apoio de agências de fomento estaduais e federais e parcerias com a iniciativa privada. Além dos pesquisadores do IAC, cientistas de unidades regionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) também participam do programa. Entre os resultados estã o desenvolvimento de 27 cultivares de cana, sendo 26 para o setor sucroenergético e uma para fins forrageiros, o que representa 20% das cultivares lançadas no Brasil na última década.

Com a adoção de metodologia de cultivo de cana desenvolvida pelo IAC, chamada de Matriz de Ambientes, o canavicultor pode aumentar em 30% sua produtividade, viabilizando a chamada canavicultura de três digitos, ou seja, com produtividade acima de 100 toneladas por hectare. É do IAC ainda o desenvolvimento do Sistema de Mudas Pré Brotadas (MPB), tecnologia que tem revolucionado o modo de se plantar cana-de-açúcar no Brasil, levando para o campo uma muda de cana. Com isso, é possível reduzir a quantidade de cana usada no plantio. melhorar o vigor fitossanitário do canavial e adotar cultivares de cana mais modernas na propriedade. A São Martinho, por exemplo, é parceira do Programa Cana IAC e tem o maior núcleo de produção do Sistema MPB do Brasil.