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Agência USP de Notícias

Pesquisadores de São Carlos desenvolvem tecnologia de ponta para a oftalmologia.

Publicado em 04 junho 2001

Pesquisadores do Instituto de Física da USP de São Carlos estão desenvolvendo um aparelho inédito no mundo para a medicina oftalmológica. O "wave front" (em português, frente de onda) possibilitará diagnósticos mais detalhados, aumentando a precisão nas receitas do óculos, lentes de contato e cirurgias do olho. Além disso, o aparelho é capaz de medir, em um único exame, 15 aberrações da visão (miopia, hipermetropia, astigmatismo, coma, entre outros). Os aparelhos disponíveis no mercado conseguem registrar apenas três. A nova tecnologia também substituirá o tradicional exame no qual o oftalmologista vai alternando as lentes com graus diferentes, até que o paciente identifique com qual enxerga melhor. O pesquisador Luiz Alberto Vieira de Carvalho salienta que nos EUA e na Alemanha estão realizados estudos nesta mesma linha. No entanto, segundo ele, já é possível adiantar que, feito com tecnologia brasileira, o aparelho custará a metade do preço "Pela primeira vez, surge a real oportunidade de unir tecnologias como a auto-refração, a topografia de córnea e o laser para maximizar a acuidade visual pós-cirurgica a níveis jamais vistos", ressalta. Igualmente às ondas da água, a luz também pode ser descrita como um fenômeno ondulatório. Desta forma, medindo as características ondulatórias da luz, pode-se chegar aos problemas da visão. Os estudos começaram em 1994, na Universidade de Heidelberg na Alemanha, onde um grupo de pesquisadores iniciou o desenvolvimento de um auto-refrator de alta resolução, cuja inspiração veio da astronomia. "O sensor de frentes de onda, utilizado somente nessa ciência, que é composto por centenas de lentículas, similares ao olho de um inseto. Uma micro câmera atrás destas lentículas tem como característica produzir pontos espaçados, todos distribuídos de forma regular", descreve Carvalho. Esta regularidade é que determina a normalidade da visão, pois para um olho emétrope (normal) é possível identificar a distribuição regular dos pontos. Porém, olhos com defeito não são capazes de identificar tal regularidade. Daí, através de cálculos e gráficos feitos por software, encontra-se a forma exata de frente de onda que sai do olho, permitindo medir não só a miopia, hipermetropia e astigmatismo, mas também defeitos mais sutis, ditos "aberrações de ordem mais alta". Com apoio da Fapesp e da iniciativa privada — a empresa Eyetec é do segmento e surgiu para produzir em escala comercial outras tecnologias desenvolvidas pela USP — os pesquisadores já concluíram a primeira parte do projeto que prova a sua viabilidade. Com o protótipo do "wave front" pronto, o projeto parte para a segunda fase. O grupo encaminhou recentemente um pedido à Fapesp solicitando recursos para a conclusão das pesquisas e, consequentemente, um produto final, pronto para ser fabricado em série. Enquanto que na primeira etapa foram investidos recursos da ordem de R$ 50 mil, para essa o orçamento deve chegar a R$ 400 mil. "Esse é um aparelho imprescindível para acompanhar o desenvolvimento da oftalmologia. Já existe laser capaz de realizar cirurgias bem mais precisas, porém, falta equipamento para fornecer informações mais detalhadas para sua execução. O 'wave front' vai preencher essa lacuna", defende Carvalho. Colaboram com o projeto os pesquisadores Paulo Schor, Wallace Chamon e Rubens Belfort da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), além do professor Jarbas Caiado de Castro do Grupo de Óptica do Instituto de Física da USP, em São Carlos. Mais informações: ( (0XX16) 273-9998, na Assessoria de Imprensa da USP de São Carlos; E-mail:imprensa@sc.usp.br