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Pesquisadores da USP usam técnica de raio-x e avançam nos estudos sobre vida fora da Terra

Publicado em 19 maio 2020

Por Yuri Ferreira

Cientistas da Universidade de São Paulo em parceria com laboratórios da Suíça e França, foram capazes de fazer estudos avançados em microfósseis que podem indicar muito sobre a origem da vida no nosso planeta. As tecnologias e métodos utilizados pelos pesquisadores também são caminho para a análise de fósseis em outros planetas e indicar até a presença de vida fora da Terra.

Os pesquisadores brasileiros do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) conseguiram criar imagens de alta resolução em 3D que mostram microfósseis – resquícios de micro-organismos – com mais de 1,88 bilhões de anos. As amostras originárias da Formação Gunflint, no Canadá, foram analisadas com uma tecnologia chamada síncrotron, que foi base para a observação desses fósseis [aqui:]

A luz síncrotron é uma onda ou radiação eletromagnética muito intensa que passa pela luz infravermelha até o raio X. Sua alta precisão é capaz de criar imagens muito claras, e foi através delas que os fósseis se tornam identificáveis. O LSNS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron) – único do tipo na América Latina – foi o responsável pela observação.

Os resultados revelaram diversas novidades acerca dos microfósseis: acreditava-se que os microorganismos foram protegidos pelo óxido de ferro hematita, mas a tese foi derrubada. Os exames indicaram que os compostos eram de material orgânico (invisível em microscopia óptica) e tinham revestimento com cristais de maghemita de óxido de ferro.

“Isso mostrou que, no nível das células e em contato com a matéria orgânica, os óxidos de ferro seguem um padrão de transformação diferente do resto da formação, o que aprimora nossa compreensão de como essas estruturas foram preservadas e como foram alteradas depois de permanecerem enterradas por bilhões de anos”, afirmou o CNPEM, em comunicado.

Felizes com as descobertas, os cientistas demonstram ansiedade com as expedições que trarão material de Marte. Os eventos serão comandados pela NASA e pela Agência Espacial Europeia. Em entrevista à Revista Pesquisa da FAPESP, o geofísico Ricardo Trindade, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, atentou para a possibilidade de encontrar microfósseis em Marte.

“Usando técnicas como esta, a ciência poderá revelar mais detalhes sobre os primeiros vestígios da vida na Terra ou mesmo em Marte, que nos ajudarão a responder a algumas das questões mais intrigantes da ciência: como a vida surgiu na Terra? E estamos sozinhos no universo?”, concluiu o comunicado do CNPEM.

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