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Pesquisadores da USP testam carro que dispensa motorista

Publicado em 22 outubro 2013

Por Débora Camargo

Orgulho. Foi essa a sensação experimentada por vários alunos de graduação e pós-graduação, professores e pesquisadores da USP São Carlos na manhã desta terça-feira (22). E não poderia ser diferente. Após muito trabalho e pesquisa, eles testaram pela primeira vez em via pública o Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma, mais conhecido como Carina. O veículo dispensa a presença de um motorista e é capaz de processar automaticamente dados que apontam se é hora de frear, acelerar ou virar o volante.

A tecnologia, desenvolvida por pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC) através do Laboratório de Robótica Móvel (LRM) do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) com a colaboração do Laboratório de Sistemas Inteligentes (LASI) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) e do Laboratório de Sistemas Embarcados Críticos (LSEC) do ICMC, todos da USP, teve início em 2010. De lá para cá, foram feitos testes dentro do campus da USP, mas nunca em via pública, como agora. A demonstração desta segunda foi a primeira autorizada na América Latina, garantindo um feito inédito para a equipe.

Denis Wolf, professor Doutor e coordenador da pesquisa, afirma que o veículo com a tecnologia autônoma será muito mais seguro do que um carro convencional. “Nove em cada dez acidentes de trânsito são causados por falha humana. As pessoas se distraem, dormem ao volante e, às vezes, não têm noção da distância que se deve manter de outro veículo. A tecnologia aplicada no veiculo não terá problemas com essas falhas”, diz.

Indagado sobre o tempo necessário para a tecnologia chegar ao mercado, o professor estima um período de 10 a 20 anos. “Atualmente só as peças usadas no veículo custam em torno de R$ 300 a R$ 350 mil. Hoje é muito caro porque não há produção em escala. Quando for para o mercado o custo será bem menor. Acredito que será opcional e o comprador poderá escolher ter a tecnologia pagando um adicional de R$ 5 mil, por exemplo”.

Segundo o professor, outro ponto que também deve repercutir na demora para a entrada de carros como o Carina no mercado é a mudança na legislação de trânsito. “Quando acontece a falha humana, o culpado é o humano, mas quando se tratar de uma falha técnica as coisas vão mudar e a lei precisará apontar quem será o prejudicado”.

REALIZAÇÃO - Alunos do curso de Ciências da Computação, Alfredo Lima (graduação) e Alberto Hata (doutorado) acompanharam de perto os testes realizados na Avenida Comendador Alfredo Maffei, nas proximidades do Sesc, e contaram os planos para o futuro da pesquisa. “Hoje os testes estão sendo realizados em São Carlos, mas a ideia é que com o tempo eles sejam replicados em todas as cidades, em um contexto nacional. A intenção é que os próximos testes autônomos sejam realizados de uma cidade para outra”, contaram.

Os jovens pesquisadores também apontaram a importância da pesquisa no âmbito acadêmico e, sobretudo, para a sociedade. “O resultado das pesquisa parece coisa de ficção cientifica e é um orgulho para o campus, para São Carlos e para a sociedade em geral. A tecnologia poderá auxiliar idosos, deficientes físicos, é um grande avanço. Também é um grande incentivo no aspecto acadêmico. Muitos alunos já procuraram o grupo de pesquisa mostrando interesse em participar das novas etapas e acreditamos que os novos alunos também terão interesse”.

FINANCIAMENTO - A pesquisa recebe financiamentos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).