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Pesquisadores da USP produzem réplica da taça Jules Rimet em impressora 3D que funde aço

Publicado em 12 dezembro 2019

Troféu original conquistado na Copa do Mundo de 1970 foi roubado 13 anos depois no Rio. Após finalização da peça em São Carlos (SP), ela será doada à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Pesquisadores da USP produzem réplica da taça Jules Rimet em impressora 3D que funde aço

Um grupo de pesquisadores da Escola de Engenharia da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos (SP) está produzindo uma réplica da taça Jules Rimet em uma impressora 3D, que é capaz de fundir metal em pó a 1700°C.

A impressão da taça é uma forma de mostrar a potência do equipamento avaliado em R$ 2 milhões e construído na própria universidade. Ao final do processo, o troféu será entregue como presente à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A taça

De acordo com o coordenador do projeto, o pesquisador Reginaldo Teixeira Coelho, a ideia de imprimir a taça surgiu da necessidade de testar a nova tecnologia do departamento unido à paixão pelo futebol.

“A ideia surgiu pela comemoração de 50 anos da conquista da taça, que será no ano que vem, e a comemoração do milésimo gol do Pelé. Resolvemos unir uma tecnologia pioneira junto com essa conquista”, disse.

Ao invés de ser lapidada por um bloco de polímeros, a peça será construída por um laser que funde o metal em pó aço inoxidável, e esculpe o material no formado desejado. A temperatura durante a impressão ultrapassa os 1.700°C. Após a montagem, ela será banhada em ouro.

O equipamento

Essa impressora aditiva custa cerca de R$ 2 milhões e foi construída na própria USP com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e auxílio da UFSCar, Unicamp, IEAV e CTI de Campinas.

Segundo o coordenador, o grande diferencial dessa máquina híbrida com tecnologia DED (Direct Energy Deposition) é que ela pode imprimir objetos em aço, que precisa de uma temperatura muito mais alta do que o plástico, por exemplo.

“A máquina é uma impressora 3D para metais. A dificuldade dessa tecnologia é que os metais precisam de uma energia muito alta para se fundirem e você poder molda-los. O plástico é uma temperatura menor. Então esse é o grande desafio, fazer isso com uma impressora 3D”, explicou.

A produção

De acordo com a pesquisadora Kandice Barros, para imprimir a taça, a máquina precisa de um desenho 3D feito em um software de modelagem. O equipamento pode fabricar a peça metálica diretamente com uma necessidade mínima de ferramental.

“Essa tecnologia funciona por programação, que é quando a gente fala para a máquina como que a gente deve seguir as coordenadas até fazer a produção”, disse.

Segundo um dos pesquisadores envolvidos no projeto Piter Gargarela, a matéria prima para o processo de impressão 3D nesta máquina é muito peculiar. Cada partícula do aço em pó tem que ter um tamanho adequado e uma composição química padrão ajustada ao projeto.

“Tem várias etapas de fundição do pó, desde fundição da peça, que vai ser refundida e atomizada à gás para a produção do pó. Tudo esta sendo estudado nesse projeto”, disse.

De acordo com Gargarela, são necessárias 12h para a produção de 15 kg do pó de aço. Durante a produção da taça, são usados aproximadamente 10 kg.

O presente

Fifa também deu réplica a Pelé, após a original ser roubada

A nova taça deve ficar pronta em janeiro de 2020, quando será doada à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro, em comemoração aos 50 anos da conquista do tricampeonato mundial de futebol, no México, em 1970.

A taça Jules Rimet foi o troféu do Brasil na Copa do Mundo de 1970, após a vitória contra a Itália com placar de 4 a 1.

Treze anos depois, o prêmio foi roubado da sede da CBF, no Rio de Janeiro. Alguns dias mais tarde, houve notícias de que o troféu havia sido fundido.

Segundo estimativas, o ouro coletado valeria o equivalente a R$ 190 mil. Em 1986, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) ofereceu uma réplica da taça, que continua entre os prêmios guardados pela entidade até hoje.

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