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Universia Brasil

Pesquisadores da UNITAU estudam microalgas nocivas

Publicado em 07 abril 2007

Microalgas nocivas à cadeia alimentar e que podem causar doenças ao ser humano tem sido estudadas na Universidade de Taubaté. Coordenado pela profa. Dra. Maria Célia Villac, do Departamento de Biologia, o projeto "Floração de microalgas potencialmente nocivas do litoral do Estado de São Paulo" tem por objetivo fazer um levantamento da composição dessas espécies em todo a costa paulista. Desenvolvida em parceria com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), o Instituto de Pesca e o Instituto Butantan, a pesquisa é realizada com fomento do Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo, denominado Biota-Fapesp, que destinou a ela uma verba de R$ 180 mil.

A professora Maria Célia explicou que a justificativa para tal investigação consiste na capacidade que as microalgas têm de se proliferar, chegando até a formar manchas na água do mar. Além disso, a grande concentração de algas que consomem oxigênio prejudica outros organismos, fora que algumas espécies também são nocivas para a cadeia alimentar.

"As microalgas estão na base da cadeia alimentar. O mexilhão, por exemplo, se alimenta desses organismos; alguns deles [algas] produzem toxinas que podem causar problemas se ingeridos pelo ser humano", esclareceu.

Mesmo com o impacto que a possibilidade de contaminação pode causar, Maria Célia alertou que os problemas com as microalgas só ocorrem quando as condições ambientais são propícias para que elas se multipliquem, o que geralmente acontece nos meses de calor. "Verão é a época em que a água do mar fica mais quente e há mais pessoas no Litoral produzindo esgoto doméstico, que tem nutriente para as algas. Por isso, a para se analisar essa espécie, é preciso levar em conta as condições climáticas, oceanográficas e socioeconômicas do local estudado".

PASSO A PASSO - De agosto de 2004 a julho de 2006, equipes de técnicos da Cetesb se dedicaram à coleta de microalgas em 20 pontos dos 150 existentes no Litoral do Estado de São Paulo. Treinados e orientados pela profa. Maria Célia Villac, eles realizaram o trabalho mensalmente em todas as praias selecionadas, desde Picinguaba, na divisa com o Estado do Rio de Janeiro, até Cananéia, próxima ao Paraná.

Nessa etapa, a Cetesb investiu com infra-estrutura e recursos humanos, destinando funcionários que partiam de Taubaté e de Santos para coletarem as algas microscópicas. Num segundo momento, quem se achegou ao trabalho foi a bióloga Jeanete Naves, do Instituto Butantan, que realiza seu doutorado no Instituto de Biociências da USP, desenvolvendo estudos sobre toxinas. "O trabalho dela inclui toxinas aquáticas e marinhas. Diante disso, ela nos auxiliou com proposta de monitoramento para manicultores".

Aliás, a maricultura é uma das grandes beneficiadas com essa pesquisa. Na fase atual, o Instituto de Pesca complementou o esforço dos pesquisadores para orientar o crescimento ordenado dessa atividade no Litoral, principalmente na praia da Cocanha, em Caraguatatuba.

ANÁLISES - Ao todo, foram coletadas 200 espécies diferentes; dessas, cerca de 20 são potencialmente nocivas. A profa. Maria Célia Villac também deixou claro que esse tipo de análise não se destina a encontrar "soluções" para o fenômeno da proliferação das microalgas, uma vez que elas constituem fenômenos naturais que não podem ser modificados pelo homem.

"Geralmente, quando a água do mar aparece manchada, a população se assusta e aciona a Cetesb. Com o resultado das análises, poderemos identificar com mais rapidez se uma praia é atingida ou não por algas nocivas, o que já é um grande ganho", explicou.

Estão envolvidos no projeto, dois biólogos e dois alunos da graduação, estagiários de Iniciação Científica. A coordenadora adiantou que o material coletado para a pesquisa será utilizado para a criação de um banco de cultivo que, futuramente, servirá como objeto para novas análises.

Fonte: Unitau