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Pesquisadores da Unicamp desenvolvem curativo feito com proteína do abacaxi

Publicado em 29 junho 2018

Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas e da Universidade de Sorocaba apresentou um estudo que permite a utilização de uma proteína existente em abacaxis em curativos. A substância, na forma de emplastro ou gel, pode ser usada para a cicatrização de ferimentos, queimaduras e até de feridas ulcerativas. Em testes feitos em laboratório, membranas de nanocelulose bacteriana foram submersas por 24 horas em solução de bromelina, a proteína do abacaxi.

Com a bromelina, os pesquisadores perceberam que, além de aumentar em nove vezes a propriedade antimicrobiana da nanocelulose bacteriana, também foi criada uma barreira seletiva que potencializou a atividade proteica e outras atividades importantes para a cicatrização, como o aumento de antioxidantes e da vascularização. A grosso modo, a bromelina tem caráter de limpar o tecido necrosado do ferimento e ainda formar uma barreira protetora contra os microrganismos. No entanto, por ser uma enzima, ela tem limitações de uso na indústria, uma vez que é facilmente desnaturada e degradada, além de ser instável em algumas formulações.

De qualquer modo, a pesquisadora e professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp, Priscila Gava Mazola, vê como real a possibilidade de se colocar a substância no mercado para ser usada no tratamento de ferimentos. Ela explica que ainda é preciso percorrer um longo caminho de testes e estudos, mas que o objetivo é colocar o produto como opção para a população. O trabalho foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e já teve seus resultados divulgados na Scientific Reports, uma das maiores publicações do setor farmacêutico.